REUTERS/Amir Cohen
REUTERS/Amir Cohen

Benny Gantz: general linha dura desafia Netanyahu nas urnas em Israel

General e ex-chefe do Estado-Maior de Israel promete unidade e tolerância zero contra os corruptos para quebrar os dez anos de governo do atual primeiro-ministro; adversários criticam sua inexperiência e seu programa de governo considerado genérico

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 13h53
Atualizado 09 de abril de 2019 | 08h40

TEL-AVIV - O general Benny Gantz, ex-chefe do Estado-Maior de Israel, se colocou em apenas algumas semanas como o único nome capaz de tirar o lugar do atual primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, com uma personalidade dura e um programa impreciso.

Antes de se lançar à batalha eleitoral em dezembro, o ex-paraquedista de 59 anos era novato em política. Há meses se especulava se ele seria um adversário perigoso para Netanyahu pela aura de prestígio que cerca sua trajetória e seu papel como chefe militar.

Atualmente, a lista de centro-direita Azul-Branco (as cores da bandeira nacional) lidera as pesquisas ou aparece empatada com o Likud de "Bibi" Netanyahu.

"Nos dias em que eu dirigia a unidade de combate Shaldag em operações em território inimigo arriscando nossas vidas, você, Binyamin Netanyahu, passava com coragem e determinação de uma sessão de maquiagem para outra para aparecer na televisão", afirmou, em fevereiro, ante seus simpatizantes.

Gantz propõe aos israelenses mão forte para defender o país, uma visão liberal sobre questões sociais e religiosas e, acima de tudo, uma alternância a Netanyahu. "Israel deve escolher: Bibi antes de tudo ou Israel antes de tudo", resumiu.

O general promete unidade após anos de divisões e "tolerância zero" contra os corruptos no momento em que Netanyahu enfrenta uma possível acusação de corrupção.

Gantz espera obter os votos dos eleitores do centro e uma parte da coalizão de direita de Netanyahu para se tornar o terceiro ex-comandante do Estado-Maior de Israel a chegar à chefia do governo, depois de Yitzhak Rabin e Ehud Barak.

"Supermercado"

Seus oponentes criticam um programa que descrevem como "supermercado", no qual tudo é encontrado. 

Gantz nasceu em 9 de junho de 1959 no sul de Israel, na aldeia de Kfar Ahim, fundada com a contribuição de seus pais, imigrantes que sobreviveram ao Holocausto.

"De muitas maneiras minha vida começou antes de eu nascer, começou quando minha mãe Malka deixou o campo de concentração de Bergen-Belsen", comentou ele em fevereiro, em Munique, durante uma conferência de segurança. 

"Eu digo aqui em Munique: o povo judeu e o Estado judeu nunca deixarão seu destino nas mãos de outros. Nós protegeremos e garantiremos o futuro de nosso povo".

Ele se alistou no exército como recruta em 1977, passou nos testes de seleção dos paraquedistas e subiu postos. Dirigiu a Shaldag, unidade de operações especiais da aviação, depois comandou uma brigada e finalmente uma divisão na Cisjordânia ocupada.

Ele foi adido militar de Israel nos Estados Unidos de 2005 a 2009 e chefe do Estado-Maior de 2011 a 2015. Liderou duas guerras na Faixa de Gaza.

Em um de seus vídeos, ele se vangloria do número de "terroristas" palestinos mortos durante a campanha de 2014 em Gaza, sem mencionar as vítimas civis, e em outro diz que não tem vergonha de buscar a paz com os árabes.

A plataforma Azul-Branco defende a separação entre israelenses e palestinos, mas não menciona a chamada solução de dois Estados. 

Sobre esta questão, o estatuto de Jerusalém, a anexação de parte do Golan ou a política em relação ao Irã, é difícil estabelecer diferenças entre o programa de Gantz e o ponto de vista de Netanyahu.

Os oponentes de Gantz criticam sua inexperiência política e acreditam que, como oficial supremo, ele era indeciso e relutava em assumir riscos. Eles também o culpam pelo que consideram falta de preparação na guerra de 2014 em Gaza. 

Gantz é formado em História pela Universidade de Tel-Aviv, tem mestrado em Ciências Políticas pela Universidade de Haifa e mestrado em Gestão de Recursos Nacionais pela Universidade Nacional de Defesa dos Estados Unidos. Ele é casado e pai de quatro filhos. / AFP

Tudo o que sabemos sobre:
Israel [Ásia]Ehud BarakJerusalém

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.