Washington Post photo byJabin Botsford
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Binyamin Netanyahu: premiê de Israel contra tudo e todos

Atual primeiro-ministro israelense busca quinto mandato - o que o tornaria o chefe de governo mais longevo do país - para ser lembrado como 'o protetor de Israel'; opositores o acusam de ser autocrata, ávido por poder e 'amigo da mentira'

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 13h53
Atualizado 09 de abril de 2019 | 08h39

TEL-AVIV - Com o mesmo orgulho e estilo de sempre, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu trava uma nova batalha eleitoral decisiva, mostrando a força e o carisma que permitiram que ele superasse situações difíceis. 

Netanyahu, de 69 anos e 13 como chefe de governo, espera alcançar nas eleições desta terça-feira, 9, um quinto mandato como premiê, o que permitiria bater em meados de julho o recorde de longevidade no poder de David Ben Gurion - primeiro chefe de governo de Israel.

Seus êxitos diplomáticos, sua imagem de garantidor da segurança de um país diante de múltiplas ameaças e o crescimento econômico, deixaram pouco espaço para seus rivais por muitos anos.

No entanto, este ano, as pesquisas preveem uma disputa acirrada contra o general Benny Gantz, ex-chefe de Estado-Maior, líder de uma lista de centro-direita, que o critica por seu "vício pelos prazeres do poder".

Além disso, os eleitores sabem que Netanyahu, ganhando ou perdendo, provavelmente será acusado de corrupção.

Adorado ou odiado, "Bibi", como todos os israelenses o chamam, demonstrou ao longo de sua carreira política sua formidável capacidade de enfrentar situações adversas.

 

Precoce e duradouro

Ele foi o mais jovem primeiro-ministro a assumir o posto em Israel, de 1996 a 1999. Em 2009 voltou ao posto de premiê, após ter ocupado vários postos ministeriais nos governos de Ariel Sharon. Esta permanência no poder causa admiração, tanto entre seus partidários quanto entre os críticos.

"Quando Bibi perder, haverá momentos em que Israel vai se arrepender de não ter um líder de estatura internacional, reconhecido mundialmente, que - gostando ou não - todos prestam atenção quando toma a palavra", escreveu recentemente o jornal Haaretz, que não esconde sua hostilidade em relação a Netanyahu.

Neto de rabino, filho de um historiador ultrassionista, Netanyahu nasceu em 21 de outubro de 1949 em Tel-Aviv. Ele passou parte de sua infância nos Estados Unidos e estudou no prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Em seu retorno a Israel, serviu cinco anos em uma unidade das forças especiais israelenses, sendo ferido em 1972 em uma operação de resgate de reféns em um avião desviado por palestinos.

Netanyahu evoca frequentemente a morte de seu irmão Yoni na operação israelense para resgatar reféns de outro voo no aeroporto de Entebbe, em Uganda.

No início dos anos 1980, lançou-se na carreira política apadrinhado por Moshe Arens do partido Likud (direita), que o nomeou à embaixada de Israel nos Estados Unidos e, em seguida, embaixador na ONU. Em 1988 foi eleito deputado pela primeira vez e em 1996 se tornou primeiro-ministro.

Nos últimos anos, Netanyahu designou o Irã como o novo "Amalek", inimigo mortal, de Israel, o que lhe permitiu desenvolver novas relações com os países árabes, em particular a Arábia Saudita.

Também foi o responsável por Israel alcançar o status de potência tecnológica mundial que serve de "modelo para o resto do mundo".

A chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos deu novo impulso às ambições de Netanyahu, que nesta campanha exibe como troféus pessoais a transferência da embaixada americana para Jerusalém e o reconhecimento da anexação das colinas do Golan.

Seus adversários o acusam de ser um autocrata, ávido por poder, amigo da mentira, que nunca quis a paz com os palestinos e cujo discurso antiárabe prejudica as bases da democracia israelense. 

Israel deverá escolher entre um homem que "fala inglês com um sotaque de Boston, maquiado, vestindo ternos caros", líder de um sistema "viciado aos prazeres do poder, da corrupção e do hedonismo" ou um governo "autêntico, com capacidade de escuta", afirmou Benny Gantz, seu principal adversário.

"Só os fortes sobrevivem", diz Netanyahu. "Quero que um dia lembrem de mim como o protetor de Israel". / AFP

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