AP Photo/Burhan Ozbilici
AP Photo/Burhan Ozbilici

Perfil: Diplomata lidou com crise de 2015 

Ele havia assumido a Embaixada da Rússia em Ancara em julho de 2013 e teve de lidar com uma grande crise diplomática no ano passado quando um avião militar turco derrubou um caça russo perto da fronteira com a Síria, em novembro

O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2016 | 22h05

ANCARA - Andrei Karlov, de 62 anos, iniciou sua carreira como diplomata em 1976 e trabalhou na Coreia do Norte por mais de uma década. Após a queda da União Soviética, em 1991, foi designado embaixador da Rússia na Coreia do Sul antes de ser enviado de volta a Pyongyang, onde comandou a diplomacia russa de 2001 a 2006, completando quase 20 anos no país.

Ele havia assumido a Embaixada da Rússia em Ancara em julho de 2013 e teve de lidar com uma grande crise diplomática no ano passado quando um avião militar turco derrubou um caça russo perto da fronteira com a Síria, em novembro.

Logo após o incidente, Karlov acusou a Turquia de encorajar uma campanha contra a Rússia em uma entrevista à agência estatal russa Tass. “A Turquia costuma fazer acusações infundadas, em particular a de que um avião militar russo violou seu espaço aéreo”, declarou. “Na maioria das vezes, essa desinformação é lançada em meio a uma campanha na mídia turca”, acrescentou o diplomata. 

 O atentado contra Karlov, no qual o agressor gritou “Não esqueça de Alepo” ocorreu na véspera de uma reunião em Moscou entre os ministros das Relações Exteriores da Rússia, Irã e Turquia para tratar sobre o cessar-fogo na cidade do norte da Síria. O ataque ao embaixador representa um novo fator de atrito entre os governos russo e turco, que estão em posições antagônicas na guerra síria. 

Ancara se opõe firmemente ao presidente sírio, Bashar Assad, e respalda os rebeldes, enquanto o Kremlin vem mobilizando tropas e sua Força Aérea em apoio ao líder sírio. 

A Rússia informou ontem que exigirá a condenação deste ataque ante o Conselho de Segurança da ONU. “O terrorismo não prevalecerá”, declarou a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova, à televisão pública Rússia 24. Segundo Maria, Karlov era um “diplomata excepcional”, que “fez muito pela luta contra o terrorismo”. 

De acordo com historiadores, a morte de Karlov é a primeira de um embaixador russo desde o assassinato de Pyotr Voykov, um enviado da União Soviética para a Polônia, que foi baleado em Varsóvia em 1927. No século 19, Alexander Griboedov, poeta e diplomata, foi morto durante um protesto na embaixada russa em Teerã. / AP, REUTERS e NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.