AP Photo/Arnulfo Franco
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Perfil: Fabricio Alvarado, o pregador que disputará a presidência na Costa Rica

Surpresa no 1º turno realizado no domingo, o jornalista, cantor e pregador evangélico conquistou 24,9% dos votos e superou os demais adversários; em 1º de abril, enfrentará o também jornalista Carlos Alvarado, do governista Partido Ação Cidadã

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2018 | 15h48

SAN JOSÉ - O jornalista e pregador evangélico Fabrício Alvarado se confirmou no domingo como o fenômeno das eleições presidenciais da Costa Rica com sua defesa de "princípios e valores" e da família tradicional, argumentos com os quais conseguiu passar para o segundo turno da votação presidencial.

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Com 93,19% das urnas apuradas, Alvarado ganhou o primeiro turno ao conquistar 24,9% dos votos e enfrentará em 1º de abril o também jornalista Carlos Alvarado, do governista Partido Ação Cidadã (PAC), que obteve 21,7% dos votos.

Fabricio Alvarado, de 43 anos, teve uma ascensão exponencial nas pesquisas a partir de 9 de janeiro, quando expressou uma forte oposição a uma sugestão da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que insta o Estado costa-riquenho a aprovar o casamento gay e garantir direitos familiares à comunidade sexualmente diversa.

O pregador encampou a bandeira da religião e da defesa da família tradicional e expôs sua oposição aos programas de educação sexual nos centros de ensino por considerar que promovem uma "ideologia de gênero".

Antes de janeiro, Alvarado aparecia com cerca de 3% das intenções de voto nas pesquisas, mas as coisas mudaram radicalmente após a recomendação da CIDH, com a campanha eleitoral no país se focando apenas na questão dos direitos humanos e deixando pouco espaço para temas como o elevado déficit fiscal ou a divida pública do país.

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Alvarado concentrou seu discurso nos "valores e princípios da Costa Rica" e da família tradicional e anunciou que, em um eventual governo, desconheceria o alto tribunal continental.

Casado e pais de duas filhas, ele reconheceu que sua postura dura contra o casamento gay e a instituição defensora dos direitos humanos o catapultou até os primeiros lugares nas pesquisas de intenção de voto, colocando no topo dos levantamentos um partido que em toda sua história só conseguiu eleger três deputados para o Congresso.

"Há uma população que não está satisfeita com a maneira com a qual a Corte Interamericana violou nossa soberania e passou por cima da nossa institucionalidade", disse Alvarado.

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A experiência política do candidato do partido evangélico Restauração Nacional se resume a quatro anos como deputado no atual período legislativo, de 2014 a 2018.

Antes disso, Fabrício Alvarado foi jornalista da rede de televisão Repretel e, depois, se dedicou a carreira de cantor de música gospel e pregador evangélico - período no qual desenvolveu a boa oratória e aprimorou sua empatia com o público.

Seus adversários o criticam por sua pouca experiência política e por, aparentemente, não contar com uma equipe qualificada de assessores para auxiliá-lo em um eventual governo.

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Alvarado conseguiu se tornar um agregador de votos religiosos na Costa Rica, atraindo tanto eleitores evangélicos quanto católicos que se opõem à ampliação de direitos humanos para a comunidade LGBTI - em dezembro, esse grupo organizou uma ampla marcha na capital San José em defesa da família tradicional.

No período em que foi cantor, Fabricio Alvarado viajou por todo o país levando sua música a templos evangélicos, religião professada por cerca de 20% dos costa-riquenhos. 

Como candidato presidencial, prometeu lutar contra a corrupção, reduzir os gastos do governo, promover o desenvolvimento da infraestrutura do país, incluindo a criação de novas estradas, e impulsionar uma "grande reforma educacional" para reforçar a capacitação dos professores e dar ferramentas de empreendimento aos estudantes. / EFE

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