REUTERS/Yves Herman
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Perfil: Geert Wilders, o candidato holandês contrário ao Islã

Líder do Partido da Liberdade, de extrema direita, tem um discurso contra a União Europeia e a imigração

O Estado de S. Paulo

13 de março de 2017 | 17h16

HAIA - Geert Wilders, líder do ultradireitista Partido da Liberdade (PVV), quer revolucionar a Holanda com uma vitória nas eleições de quarta-feira 15 e, mais, se transformar em um barômetro do populismo na região.

Wilders entrou para o cenário político em 1990, quando filiou-se ao Partido Popular da Liberdade e Democracia (VVD), formado por uma fusão de dois grupos liberais e progressistas que nada têm a ver com o atual perfil do ultradireitista.

O político passou oito anos escrevendo discursos para os líderes do VVD, antes de se tornar deputado. Em 2004, rejeitou a solicitação de adesão da Turquia à União Europeia (UE), abandonou o VVD e se tornou um político independente.

Wilders fundou o Partido da Liberdade (PVV) em 2006 e, desde então, conseguiu somar votos com mensagens contrárias ao Islã, à UE e à imigração. Justamente pela linguagem contrária ao Islã, em dezembro do ano passado o político foi condenado por um tribunal holandês por incitar a discriminação. Ele havia insultado um grupo de marroquinos.

Sua batalha contra o islã inclui a proibição do Corão, o restabelecimento dos controles fronteiriços e críticas à "falta de igualdade" entre sexos nessa religião, o que lhe levou a um bate-boca público com a rainha Beatrix quando ela usou um véu em uma mesquita de Omã.

Sua atitude provocadora lhe valeu antipatias, tanto que sua proteção se transformou em algo essencial durante a campanha eleitoral. Wilders carrega com orgulho o qualificativo de filho pródigo de Donald Trump, com sua retórica contra o Islã e contra as minorias.

As pessoas mais próximas do político dizem que ele é engenhoso e tem grande intuição política. Seus adversários o consideram "vulnerável e nervoso".

Vida. Wilders nasceu em Venlo em 1963 e tem suas origens nas Índias Orientais Holandesas, atual Indonésia, o país com maior população muçulmana do mundo. Seus avôs, católicos praticantes, emigraram com uma filha nos braços aos Países Baixos após o colapso da colônia holandesa.

Ele é recordado por suas professoras de ensino médio como um aluno trapaceiro e "de poucos amigos", algo que, segundo dizem os que lhe conhecem, continua em sua vida adulta e ele ainda é um solitário que só fala dos problemas políticos. "Ele não participa de nenhum ato social. Precisamos convencê-lo para que fosse a uma festa do Natal, mas era impossível falar de sua vida privada", declarou Hans Hoogervorst, seu colega no Parlamento holandês.

Com apenas 20 anos, Wilders deu o "sim" a sua primeira namorada, para divorciar-se poucos anos depois e voltar a casar-se em 1992 com Krisztina Marfai, diplomata húngara judia que conheceu na Embaixada de Budapeste em Haia, e com quem agora encontra duas vezes por semana por questões de segurança.

Foi exatamente antes de conhecê-la que Wilders começou a frequentar Israel, país que admira e defende em seu programa eleitoral, que inclui a mudança da embaixada holandesa de Tel-Aviv para Jerusalém. /EFE

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