AP Photo/Peter Dejong
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Perfil: Mark Rutte, premiê holandês quer reeleição para conter o populismo

Primeiro-ministro foi eleito ao cargo pela primeira vez em 2010 e conseguiu aprovar um orçamento austero com o apoio de cinco partidos

O Estado de S. Paulo

13 de março de 2017 | 17h47

HAIA - Mark Rutte, primeiro-ministro da Holanda, colocou em prática suas habilidades políticas durante quatro anos de recuperação econômica para manter unido um cenário político cada vez mais fragmentado e cético em relação à União Europeia, ameaçada pelo populismo.

Rutte se tornou primeiro-ministro pela primeira vez em outubro de 2010, após as eleições de junho em razão do fracasso da coalizão entre liberais e democratas-cristãos ao tentarem aprovar um orçamento de austeridade em meio à crise econômica.

De maneira suave e com políticas firmes, Rutte fez história naquela ocasião por ser o primeiro chefe de governo liberal no país desde a fundação de seu Partido Popular da Liberdade e Democracia (VVD), em 1948. A partir de então, liderou uma coalizão minoritária de direita, cujo poder de legislação dependia dos apoios do Partido da Liberdade (PVV), liderado pelo populista e anti-islamista Geert Wilders.

O governo de Rutte conseguiu aprovar um orçamento austero com o apoio de cinco partidos - liberal, democrata-cristão, Democratas 66, Verde e União Cristã -, embora tenha fracassado após Wilders se recusar a respaldar uma série de cortes de despesas.

Foi reeleito primeiro-ministro em outubro de 2012, desta vez em uma estreita vitória, o que lhe permitiu liderar uma coalizão de centro-esquerda, com o apoio dos trabalhistas.

O político, antigo gerente de pessoal da multinacional holandesa Unilever (1992-1997) e de sua subsidiária Calvé (1997-2000), fez ressurgir na campanha de 2012 o VVD, partido do qual continua líder e pelo qual é candidato à reeleição como primeiro-ministro.

Com 41 cadeiras, de um total de 150, o VVD é atualmente o maior partido no Parlamento holandês, embora as pesquisas de intenções de voto apontem que o partido deve ficar em segundo lugar após as eleições de quarta-feira.

Desde sua chegada ao poder, Rutte - um defensor veemente do funcionamento das leis do mercado - teve que impor grandes cortes de despesas, que resultaram em críticas pelas medidas de austeridade exigidas por Bruxelas.

Rússia. Rutte teve que fazer valer todos os seus dotes diplomáticos para superar uma crise entre Haia e Moscou, justamente quando se completavam quatro séculos de relações comerciais, pela detenção de um diplomata russo na Holanda e o assalto à casa do chanceler holandês na capital russa.

Outro momento de dificuldade aconteceu em 17 de julho de 2014, quando um avião da companhia aérea Malaysia Airlines foi derrubado com 298 passageiros a bordo, sendo 196 holandeses, provavelmente atingido por um míssil disparado pelos separatistas pró-Rússia.

Rutte também teve problemas com o acordo para que a Ucrânia fizesse parte da União Europeia (UE), rejeitado por 60% dos holandeses em um referendo realizado em abril de 2016.

O premiê holandês tentou obter o apoio do Parlamento para ratificar o acordo com a Ucrânia, o que pode dar credibilidade a Wilders, que o chamou de "fantoche" de Bruxelas.

Admirador declarado da ideologia econômica da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, Rutte sempre se mostra como um homem simples, afável, modesto e insistente para levar adiante seus projetos políticos.

Sua serenidade e capacidade de negociação, sua atitude conciliadora e bom humor serviram para superar momentos difíceis, especialmente quando recebeu uma enxurrada de críticas em seu país por suas políticas austeras e na UE por ser um dos principais obstáculos para que a Grécia recebesse seu primeiro resgate financeiro.

Vida. Admirado por muitos, Rutte, que nasceu em Haia em 1967 e atualmente vive com sua mãe, vai frequentemente de bicicleta de sua casa até o Parlamento, promovendo a proteção do meio ambiente e dando exemplo de político austero em tempos de crise.

Rutte combinou sua carreira de História na Universidade de Leiden com a liderança de um movimento liberal. Aos 35 anos, foi nomeado subsecretário de Assuntos Sociais (2002-2004) e depois de Educação, até as eleições de 2006, quando, já na liderança do VVD, perdeu seis cadeiras e passou a ser o líder da oposição.

Filho de uma família de comerciantes, são poucos os detalhes conhecidos sobre sua vida privada, além de ser solteiro, pianista em seu tempo livre, professor de ciências políticas e membro da igreja protestante da Holanda.

É visto como um político hábil, capaz de fazer pactos com qualquer pessoa se o assunto for poder: muitos temem que após as eleições ele acabe traindo seus próprios princípios e una suas forças com o PVV para formar uma coalizão de governo. /EFE

Relembre as eleições de 2016:

 

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