Perfil: Moussa Koussa foi chefe de serviço secreto de Khadafi

Chanceler, que aparentemente desertou do regime líbio, foi crucial para tirar país do isolamento.

BBC Brasil, BBC

31 de março de 2011 | 07h48

Chanceler aparentemente abandonou o regime de Khadafi

A aparente deserção do chanceler líbio Moussa Koussa marca uma nova guinada em uma carreira que se estende por mais de três décadas.

Sua chegada à Grã-Bretanha, na última quarta-feira - a Chancelaria britânica relatou ter ouvido de Koussa, 59, que ele não quer mais representar o governo de Muamar Khadafi - contrasta fortemente com sua nomeação a embaixador em Londres, em 1979.

Após ter defendido a morte de dissidentes líbios em solo britânico, em uma entrevista ao jornal The Times, e de ter declarado admiração por militantes do IRA (Exército Republicano Irlandês), ele foi expulso da Grã-Bretanha no ano seguinte.

Mas, na elite líbia, Koussa cresceu, primeiro cuidando das relações com movimentos estrangeiros de "libertação nacional"; depois, tornando-se, em 1994, o chefe do serviço secreto de Khadafi, posto em que permaneceu até 2009, quando se tornou chanceler.

Como o principal espião da Líbia, ele recebeu a tarefa de tirar o então Estado pária do isolamento e teve papel crucial em negociar a compensação para as famílias vítimas dos atentados contra o voo da Pan Am em Lockerbie (Escócia, em 1988) e contra o voo da companhia francesa UTA, no Níger (1989).

Até as vésperas do início da revolta líbia, em fevereiro passado, os esforços de Koussa para reintegrar o país na comunidade internacional pareciam ter surtido efeito: as conexões do comércio do petróleo do país se estendiam por toda a Europa, e portas se abriam para Khadafi nas capitais europeias.

'Apoio terrorista'

Segundo uma reportagem do jornal britânico The Observer, um perfil confidencial escrito sobre Koussa pela Inteligência da Grã-Bretanha o descrevia como o chefe da "principal instituição de inteligência na Líbia, responsável por apoiar organizações terroristas e perpetrar atos de terrorismo patrocinados pelo Estado".

No entanto, ele nunca foi formalmente acusado por nenhum dos atentados contra alvos ocidentais atribuídos à Líbia nos anos 1980.

Talvez em um sinal de incredulidade de Trípoli, o governo líbio até o momento negou os relatos da deserção de Koussa.

Mas, segundo o Ministério de Relações Exteriores britânico, Koussa declarou que "renunciava a seu posto", ainda que não esteja claro se ele pretende trabalhar contra o regime de Khadafi.

Independentemente de qual seja o seu papel futuro, Koussa certamente é uma fonte valiosa de informações sobre o governo líbio.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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