REUTERS/ Nir Elias
REUTERS/ Nir Elias

Em nova eleição em Israel, Netanyahu se mostra mestre da política

Imagem de maior responsável pela segurança de um país ameaçado por múltiplas ameaças e em crescimento econômico deixaram pouco espaço para adversários

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2020 | 06h40

Binyamin Netanyahu, o mais longevo dos primeiros-ministros da história de Israel, é um mestre da arte de surpreender os adversários políticos e de sobreviver às adversidades, mas desta vez precisa tirar dois coelhos de sua cartola: vencer as eleições legislativas de segunda-feira, 2, e provar sua inocência na Justiça.

Netanyahu, de 70 anos - dos quais 14 à frente do governo -, é de todos os primeiros-ministros de Israel o único a ter nascido depois da criação do Estado, em maio de 1948. Seus êxitos diplomáticos, sua imagem de maior responsável pela segurança de um país confrontado com múltiplas ameaças e com crescimento econômico deixaram pouco espaço para seus adversários.

No entanto, pela terceira vez em menos de um ano as pesquisas preveem uma eleição acirrada frente ao general Benny Gantz, ex-chefe do Estado-Maior, líder de uma coalizão centro-esquerda, que o reprova por seu "vício aos prazeres do poder".

Nas últimas legislativas, Gantz, que congregou os votos anti-Netanyahu, terminou praticamente empatado com o Likud do primeiro-ministro. E, frente ao novo impasse, foram convocadas estas novas eleições. Adorado ou odiado, Netanyahu demonstrou ao longo de sua carreira política sua formidável capacidade para enfrentar situações adversas.

Precoce e duradoura

Netanyahu foi o primeiro-ministro mais jovem da história de Israel, quando liderou o governo pela primeira vez entre 1996 e 1999. Em 2009, ele retornou ao cargo de primeiro-ministro, tendo ocupado vários cargos ministeriais nos governos de Ariel Sharon. 

Essa permanência no poder causa admiração, simpatia ou aversão. "Se perdermos Bibi, haverá momentos em que Israel se arrependerá de não ter um líder internacional de estatura, reconhecido por todo o mundo e, goste-se ou não, a quem todos prestam atenção quando toma a palavra", escreveu o jornal Haaretz, que não esconde sua hostilidade em relação a Netanyahu.

Neto de rabino, filho de um historiador ultrassionista, Netanyahu nasceu em 21 de outubro de 1949 em Tel Aviv. Passou parte de sua infância nos Estados Unidos e estudou no prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ao retornar a Israel, ele serviu cinco anos em uma unidade de forças especiais israelenses e foi ferido em 1972 em uma operação de resgate de reféns em um avião desviado por palestinos.

Netanyahu frequentemente evoca a morte de seu irmão Yoni na operação israelense para resgatar reféns de outro voo no aeroporto de Entebbe, em Uganda. No início dos anos oitenta, ele começou sua carreira política com apoio de Moshe Arens, do partido Likud, que o nomeou para a embaixada de Israel nos Estados Unidos e, em seguida, embaixador na ONU.

Em 1988, foi eleito deputado pela primeira vez e, em 1996, ingressou no cargo de primeiro-ministro.

Inimigo mortal

Nos últimos anos, Netanyahu designou o Irã como o novo "amalek", o inimigo mortal de Israel, o que lhe permitiu desenvolver novas relações com os países árabes, principalmente a Arábia Saudita. 

A chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos deu um novo impulso às ambições de Netanyahu que, na campanha eleitoral, exibe como troféus pessoais a transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém e o reconhecimento da anexação da Colina de Golã por Washington.

Seus adversários o acusam de ser um autocrata, ganancioso pelo poder, que nunca quis ter paz com os palestinos e cujo discurso antiárabe mina os fundamentos da democracia israelense. Casado e com três filhos, Netanyahu está na mira da Justiça, acusado em supostos casos de corrupção, fraude e abuso de confiança em casos de doações de empresários milionários. 

Para Gideon Rahat, professor de ciência política da Universidade Hebraica de Jerusalém, Netanyahu alterna entre "extremismo" e "moderação". Após seu indiciamento formal, a mídia israelense decretou "o fim da era Netanyahu". Mas, por enquanto, ainda estão esperando. / AFP

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