REUTERS/Luisa Gonzalez
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Perfil: nova prefeita de Bogotá, Claudia López é uma mulher acostumada a quebrar barreiras

Ex-senadora, lésbica assumida, tornou-se a primeira mulher a vencer disputa para comandar maior cidade colombiana; ela prometeu um governo diversificado que mudará a capital do país através da cultura cidadã

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2019 | 17h34

BOGOTÁ - A ex-senadora Claudia López, primeira mulher a ser eleita prefeita de Bogotá, representa a ascensão política da comunidade LGBT na Colômbia, onde os direitos dos homossexuais ainda não estão plenamente garantidos.

Claudia, de 49 anos, que mantém uma relacionamento com a senadora Angélica Lozano, rompeu com seu triunfo uma barreira na América Latina, região que nunca havia tido em nenhuma de suas capitais algum membro desta comunidade como sua autoridade máxima.

Em seu discurso de vitória, no qual foram vistas bandeiras dos partidos Aliança Verde e Polo Democrático Alternativo, que apoiaram sua candidatura, mas poucos com as cores do arco-íris, a prefeita eleita afirmou que terá um governo diversificado que buscará nos próximos quatro anos mudar a cidade através da cultura cidadã.

Esse histórico resultado se deu em um país ainda dividido pelo acordo de paz de 2016, que desarmou os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Embora apoiasse o pacto de paz, Claudia não aceitou na campanha nenhuma aproximação com o partido homônimo formado pelos ex-rebeldes por seu passado violento.

Ela também se declara longe da "agenda do passado" do presidente Iván Duque, embora diga que trabalhará com o governo nacional.

Prefeitura inclusiva

"Bogotá não apenas votou para que a cidade mude nos próximos quatro anos, mas também para que essa geração mude toda nossa sociedade. Votou para que através da cultura cidadã, da educação de qualidade e da igualdade, derrotemos, superemos e desaprendamos o machismo, o racismo, o classismo, a homofobia e a xenofobia ", afirmou.

A ex-congressista estava acompanhada por mais de vinte políticos que a apoiaram, incluindo a senadora Angélica, sua parceira por muitos anos e a quem beijou quando entrou no palco sob aplausos dos participantes. "Que não haja dúvida, Bogotá votou porque mudança e igualdade são imparáveis", acrescentou.

Mulheres empoderadas

Claudia não esqueceu todos aqueles tiveram papel importante em triunfo nas urnas. "(Todos) que abriram caminho para eu chegar até aqui, no dia em que uma mulher humilde, filha de uma professora, diversa, conquistou pela primeira vez o segundo cargo eleitoral mais importante do país."

"Hoje foi o dia das meninas, hoje foi o dia das jovens, hoje foi o dia das mulheres, hoje foi o dia das famílias como a sua, como a minha", disse emocionada em meio aos gritos da multidão que a clamavam como prefeita de Bogotá.

Compromisso com a mudança

A prefeita eleita disse que terá um governo aberto, participativo e transparente com o qual procurará recuperar a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.

"Estou ciente da enorme responsabilidade que assumimos hoje, não apenas para honrar o voto livre dos milhões de cidadãos que nos confiaram seu voto, mas sobretudo para honrar sua confiança, suas ilusões", afirmou.

Por isso, Claudia convidou os cidadãos a se unirem à mudança que propõe, porque considera que ela não depende única e exclusivamente do governo.

"Bogotá realmente mudará se cada um de nós decidir ser um cidadão e cidadão melhor todos os dias. Cidadãos não nascem, cidadãos são criados, são feitos através da inteligência e da cultura cidadã que hoje retornam a Bogotá. Isso ocorre com educação pública gratuita e de qualidade", afirmou.

Rivais sim, inimigos não

Em tom conciliatório muito diferente do usado na campanha, Claudia valorizou o trabalho de seus concorrentes, o independente Carlos Fernando Galán, o esquerdista Hollman Morris e o direitista Miguel Uribe Turbay.

"Seremos um governo para todos, não apenas para aqueles que confiaram em nós", disse.

Sobre Galán, favorito que terminou em segundo lugar, ela destacou o legado deixado por seu pai na política colombiana, o ex-candidato à presidência liberal Luis Carlos Galán, assassinado em 1989, e disse que o honraria em seu gabinete de prefeito.

De Uribe, disse que é um "jovem de grande tenacidade" e que terá um grande futuro se afastar-se "dos supostos apoios" que teve na campanha, como os partidos liberais e conservadores tradicionais, bem como o Centro Democrático, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

No caso de Morris, Claudia disse que ele e seus eleitores "sabem que é muito mais o que os une do que o que os divide".

"Eles sabem que, com o nosso governo, suas causas de vida estarão protegidas e representadas: a política de justiça social, amor e reconhecimento", afirmou. / EFE e AFP

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