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Perfil: Park Geun-hye, líder sul-coreana derrubada após envolvimento em caso de corrupção

Presidente pediu desculpas e reconheceu que o governo não foi capaz de prevenir o desastre e falhou em sua resposta inicial; ela poderá ser julgada e, se for condenada, trocará o palácio presidencial pela prisão

O Estado de S.Paulo

10 de março de 2017 | 08h23

SEUL - A tímida e conservadora Park Geun-hye, única mulher que conseguiu se tornar presidente da Coreia do Sul, deixa o poder fazendo história ao se tornar a primeira chefe de Estado do país a ser afastada do cargo. 

A agora ex-presidente de 65 anos, filha do ditador Park Chung-hee – assassinado em 1979 –, é acusada de ter confabulado com sua confidente Choi Soon-sil na extorsão de grandes empresas e ter permitido que a amiga interferisse nos assuntos de Estado.

APark assumiu em fevereiro de 2013 a presidência de um país onde 80% dos deputados são homens e a maioria das instituições e empresas quase não possui representante feminino em altos cargos.

A líder discreta, conhecida por sua capacidade limitada de oratória, entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a assumir o governo e a primeira a sofrer um impeachment nas três décadas da jovem democracia sul-coreana.

Desde a infância, sua ligação com a política foi intensa e trágica ao mesmo tempo. Quando tinha 11 anos, seu pai chegou ao poder e instaurou um governo autoritário durante quase duas décadas. Hoje, ele é lembrado tanto pelo progresso notável que levou ao “milagre econômico” do país, como pela dura repressão dos cidadãos e graves violações dos direitos humanos.

O assassinato da mãe de Park em Seul, em 1974, pelas mãos de um seguidor fiel do regime norte-coreano, a forçou a assumir o papel de primeira-dama. Ela tinha 22 anos e estudava na Europa quando sua mãe foi morta. Foi nessa época que Park começou sua relação com Choi e o pai dela, Choi Tae-min, líder autoproclamado de uma seita chamada Igreja da Vida Eterna. Ele disse a Park que havia recebido a visita do espírito da mãe dela, que lhe pedira para guiá-la.

A jovem Park, declarada admiradora da rainha Elizabeth II, desempenhou o papel de primeira-dama até 1979, quando seu pai foi assassinado por seu próprio chefe de inteligência.

Park, que nunca se casou e não tem filhos, esteve durante duas décadas afastada da vida pública até ocupar uma cadeira no Parlamento em 1998.

A partir de então começou sua escalada nas fileiras do conservador Grande Partido Nacional, antecessor do Saenuri, do qual se tornou em candidata e líder em 2011.

Seu mandato na presidência de quatro anos, que agora foi interrompido, esteve marcado em nível internacional pela alta tensão na relação com a vizinha Coreia do Norte, produto da falta de vontade de diálogo em Seul e do aumento dos testes nucleares de Pyongyang.

O momento mais crítico de seu mandato ocorreu após o trágico naufrágio do ferry Sewol, que deixou mais de 300 mortos e desaparecidos, e provocou uma onda de indignação pela má gestão do caso.

Park pediu desculpas e reconheceu que o governo não foi capaz de prevenir o desastre e falhou em sua resposta inicial. Após a crise política, que afundou sua popularidade, ela realizou várias mudanças no Executivo.

As reformas trabalhistas e educativas aprovadas por seu governo foram muito questionadas nas ruas, porém, no fim de 2016 - quando se tornou público o escândalo envolvendo Choi -, começou sua queda.

As manifestações com participações históricas que lotaram regularmente o centro de Seul para pedir sua destituição não foram suficientes, e Park tentou sobreviver no poder até que o Parlamento aprovou, no dia 9 de dezembro de 2016 sua destituição, ratificada nesta sexta-feira pelo Tribunal Constitucional.

Sem a imunidade garantida pelo cargo, a veterana política pode agora enfrentar um novo episódio trágico em sua biografia. Park Geun-hye poderá ser julgada por corrupção e, se for condenada, trocará o palácio presidencial, onde residiu grande parte de sua vida, pela prisão. / EFE

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