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Perfil: Salman Abedi, extremista de origem líbia movido por vingança

Suicida que realizou o atentado em Manchester, matando 22 pessoas, era conhecido pelos serviços de inteligência e pertencia ao grupo Estado Islâmico

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 15h10

MANCHESTER, REINO UNIDO - O autor do atentado suicida ocorrido em Manchester, Salman Abedi, de 22 anos, era um jovem britânico de ascendência Líbia, criado em um contexto familiar extremista e movido por uma sede de vingança.

Abedi era conhecido pelos serviços de inteligência britânicos e pertencia ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI), segundo seu irmão mais novo, Hashem, que foi preso na terça-feira 24 na Líbia e interrogado pelas autoridades do país.

O agressor nasceu em Manchester, a terceira maior cidade do Reino Unido, que abriga uma grande comunidade líbia. Seu pai, Ramadan, foi membro do Grupo Islâmico Combatente Líbio (GICL), muito ativo na década de 1990 e hostil ao regime de Muamar Kadafi, segundo um oficial de segurança líbio.

Perseguido pelo regime de Kadafi, assim como os outros membros do GICL, Ramadan Abedi encontrou abrigo no Reino Unido - primeiro em Londres e depois em Manchester - onde a família se instalou no bairro de Fallowfield.

Os Abedi frequentavam a mesquita local de Didsbury. Ramadan realizava a pregação e um dos irmãos de Abedi, Ismael, de 23 anos, era voluntário. Este foi o primeiro detido no Reino Unido pelo atentado.

Salman Abedi começou em 2014 os seus estudos de Comércio e Administração na Universidade de Salford, na área metropolitana de Manchester, mas os abandonou um ano depois.

Veja abaixo: Reino Unido em alerta máximo

Ele era "muito distante", disse um porta-voz da comunidade líbia de Manchester, Mohamed Fadil. "As pessoas sabiam que ele tinha problemas de comportamento. Não era respeitoso ou educado, mas sim introvertido e muito esquisito. Na comunidade dizia-se que ele bebia álcool e fumava erva", assegurou.

Vingança. O autor do atentado em Manchester ao fim de um show da cantora pop americana Ariana Grande - que deixou 22 mortos e mais de 60 feridos - teria sido motivado por um "desejo de vingança" depois que um amigo de origem líbia foi morto em maio de 2016, declarou um amigo da família.

De acordo com a fonte, que falou sob condição de anonimato, um amigo de Abedi morreu depois de ser esfaqueado por jovens britânicos na cidade. "Este incidente provocou um sentimento de raiva entre os jovens líbios de Manchester e, especialmente, em Salman, que deixou claro seu desejo de vingança".

"Conseguimos acalmar os jovens do bairro que se sentiram atingidos pelo ataque na condição de muçulmanos, mas parece que Salman não esqueceu o incidente", acrescentou a fonte. "Eu pessoalmente conversei com ele e tentei convencê-lo de que se tratava apenas de um ato criminoso.”

Segundo a imprensa britânica, o suposto amigo de Abedi, Abdul Wahab Hafidah, foi perseguido e morto por um grupo de jovens, cujo julgamento ainda está em curso.

Ajuda. Salman Abedi pode ter fabricado a bomba sozinho ou com a ajuda de um cúmplice, disse uma fonte com conhecimento da investigação à agência de notícias Reuters. "O foco ainda é a busca por cúmplices e pela rede, mas ele pode ter feito a bomba sozinho.”

A fonte afirmou que, embora ele possa ter tido alguma assistência, também é possível que tenha fabricado o explosivo sozinho. Alguns investigadores temem que um experiente fabricante de bombas esteja à solta.

A polícia disse nesta quinta-feira, 25, que realizou prisões significativas e descobriu itens importantes na investigação do ataque suicida em Manchester. Oito pessoas estão sendo mantidas sob custódia e uma mulher foi liberada. / AFP e REUTERS

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