AFP PHOTO / Brendan SMIALOWSKI
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Perfil: Serguei Kislyak, o diplomata russo que assola o governo Trump

Embaixador nos EUA é descrito por funcionários da inteligência americana como 'um dos principais espiões da Rússia'; contatos com membros do governo Trump resultaram na demissão do conselheiro de Segurança Nacional e colocaram o secretário de Justiça sob pressão

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2017 | 19h42

WASHINGTON - Serguei Kislyak, embaixador russo nos Estados Unidos, é um diplomata com ampla experiência cuja carreira começou na era soviética e ganhou prestígio ao longo dos vários governos da Rússia desde o fim da União Soviética.

Em Washington desde 2008 e depois de ter a indicação para o posto renovada por três vezes, Kislyak está envolvido na polêmica com o secretário de Justiça americano, Jeff Sessions, com quem conversou duas vezes durante a campanha de Donald Trump à presidência.

Recentemente, o ex-embaixador dos EUA na Rússia, Michael McFaul, descreveu Kislyak como um diplomata "experiente e efetivo" e afirmou que ele já ocupou "praticamente todos os cargos importantes dentro da chancelaria russa - exceto pelo de ministro de Relações Exteriores". "Você nunca ficará com dúvidas quanto ao país que ele representa", afirmou McFaul em evento na Universidade Stanford, em novembro, ao lado de Kislyak.

Além disso, funcionário e ex-funcionário da inteligência dos EUA ouvidos pela emissora americana CNN o descrevem como um dos principais espiões da Rússia e um hábil recrutador de espiões, características negadas pelo Kremlin.

Kislyak, de 66 anos, estudou engenharia em Moscou e depois entrou na Academia de Comércio Exterior da União Soviética. Em 1977, no auge da Guerra Fria, ele se juntou ao Ministério de Relações Exteriores da então potência bélica. Em seu primeiro cargo na chancelaria, atuou como enviado aos EUA entre 1985 e 1989, período marcado pelos esforços de Mikhail Gorbachev, de abrir e reformar a União Soviética.

Ele também foi embaixador da Rússia na Otan entre 1998 e 2003, se especializando em controle de armamentos depois do colapso da União Soviética. Essa especialização também fez com que ele, uma década atrás, no cargo de vice-chanceler russo, liderasse as conversas entre Washington e Moscou para ampliar seus acordos de controle de armas.

Neste ano, Kislyak já esteve envolvido em outro escândalo do governo Trump. Em janeiro, o então conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, foi demitido por Trump depois de o Departamento de Justiça ter informado à Casa Branca que ele poderia estar vulnerável a chantagem de Moscou por ter mentido sobre o teor de uma conversa telefônica que teve com o embaixador russo em Washington, em dezembro. / COM EFE

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