Olivier Hoslet/Pool via REUTERS
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Perfil: Theresa May, a 'mulher difícil' que tentou aprovar o Brexit

Depois de sobreviver a duas   moções de desconfiança, uma do próprio partido, e uma da oposição, May deixou o cargo sem aprovar o divórcio com a UE

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2019 | 15h29
Atualizado 24 de maio de 2019 | 11h14

Durante a escolha do sucessor do primeiro-ministro David Cameron, o deputado do Partido Conservador Ken Clarke conversava com um colega nos bastidores de um programa de TV no qual avaliava as chances de cada ministro do gabinete para substituir Cameron, enfraquecido pela derrota no plebiscito do Brexit. Ao avaliar as chances da então secretária do Interior, Theresa May, Clarke é irônico: “Theresa é uma mulher difícil para caramba, mas nós já trabalhamos para Margaret Thatcher”.

Irredutível

Essa foi uma das primeiras comparações entre as duas líderes conservadoras e a primeira crítica ao comportamento de May, que, nos anos seguintes, se mostraria irredutível em manter suas posições sobre o Brexit. 

O primeiro sinal de intransigência de May foi dado logo após a eleição antecipada de 2017, quando o Partido Conservador perdeu sua maioria no Parlamento e teve de se coligar com os unionistas norte-irlandeses do DUP. À época, ela minimizou a derrota, negou-se a adequar seu plano para o Brexit à nova realidade política e disse: “vamos trabalhar”. 

Derrotas

Um ano e meio depois, quando ela sofreu a primeira derrota do acordo que negociou com a UE sobre o Brexit, ela adotou uma posição similar. Negou-se a aceitar antecipar eleições ou um novo plesbicito. 

Dois meses depois, a duas semanas do fim do prazo para um acordo e após obter poucas concessões da UE, foi derrotada novamente no Parlamento. Mesmo com pouco tempo para evitar um divórcio litigioso com o bloco, May recusava-se a aceitar uma prorrogação das negociações, crente de que conseguiria convencer os deputados a aprovar seu pacto.

No dia 13, ela apresentou uma emenda para ampliar o prazo de negociação que, por sua redação cautelosa, na prática mantinha tudo como estava. May então sofreu sua terceira derrota no Parlamento. 

Formação

Licenciada em geografia, May estudou na Universidade de Oxford. Filiada ao Partido Conservador desde a juventude, depois de trabalhar por dez anos no mercado financeiro, ela entrou para a política como vereadora num distrito de Londres. Tornou-se membro da Câmara dos Comuns em 1997 e entrou para o governo de David Cameron em 2010.

Secretária do Interior

No seu mandato à frente da secretaria, May se concentrou basicamente na questão da imigração. Ela implementou uma série de leis para limitar a entrada de estrangeiros no Reino Unido. 

Phillip May

O marido da primeira-ministra, tenta manter a discrição enquanto trabalha no mercado financeiro. Os dois se conheceram ainda na universidade e foram apresentados em uma festa pela ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto

Perspectiva

Depois de sobreviver a duas   moções de desconfiança, uma do próprio partido, e uma da oposição, May sofre pressões para deixar o cargo ou antecipar novas eleições. Um novo referendo sobre o Brexit também está no radar, mas a primeira-ministra insiste em aprovar o acordo negociado com Bruxelas. Por enquanto, nenhum dos lados aparenta que irá ceder. 

 

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