Christophe Petit Tesson/Pool via REUTERS
Christophe Petit Tesson/Pool via REUTERS

Perguntas e respostas: restauração de Notre-Dame deve ser longa e cara

Recuperação da igreja será possível e ela deve funcionar mesmo durante as obras; veja as principais dúvidas

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 14h51

Quanto tempo será necessário para restaurar a Catedral de Notre-Dame? Será possível recuperar a joia arquitetônica da maneira como era antes da tragédia? Quanto custará? Estas são algumas perguntas que os especialistas enfrentam um dia depois do incêndio devastador na catedral de Paris. Veja as principais:

Qual será o custo da restauração da catedral?

 Os valores mudam de acordo com as técnicas tradicionais ou mais novas que poderiam ser utilizadas, mas superam várias centenas de milhões de euros, segundo os especialistas. A onda de solidariedade em menos de 24 horas permitirá cobrir o orçamento. "Desta vez, dinheiro não faltará", disse o jornalista francês especializado em história Stéphane Bern, em referência ao fato de que muitos monumentos na França estão em risco e sem financiamento. 

Em quanto tempo as obras podem ficar prontas?

 Os prognósticos sobre os prazos da restauração são muito variáveis. As obras levarão "entre 10 e 20 anos no mínimo", de acordo com Bern. Dependerá da avaliação dos danos, da perícia, das licitações. Também dos trabalhos preparatórios, de saneamento, de consolidação e de secagem. Uma vez superadas todas as etapas e após a seleção das empresas competentes, a restauração efetiva da catedral será relativamente rápida, segundo os especialistas.

Como serão feitas as licitações para as obras?

 Ao contrário das catedrais de outros países ou do templo de Estrasburgo (leste da França), que não pertencem ao Estado, a restauração da catedral de Paris obedece às complexas regras das licitações públicas: as empresas selecionadas usam terceirizadas, que por sua vez também podem recorrer a outras empresas. Estas podem inclusive contratar "pessoas pouco qualificadas" para as obras, segundo um arquiteto que pediu anonimato.

O sistema estatal é considerado por alguns arquitetos menos seguro para o controle diário sobre a conservação de um monumento. No caso da catedral de Estrasburgo, uma equipe verifica a cada dia seu estado.

Como funcionará a securitização do templo após o incêndio?

 Quem foi responsável por quê? Primeiro será necessário determinar a origem da tragédia e suas circunstâncias - algo que não se anuncia nada fácil -, para estabelecer o papel do seguro.

Quando Notre-Dame poderá receber turistas de novo?

 O interior da catedral poderia ser reaberto ao público rapidamente, o que é desejado tanto pelo governo como pela arquidiocese. Mas primeiro será necessário verificar a estrutura do monumento.  

As abóbodas ainda correm risco estrutural?

 As abóbadas podem ter ficado fragilizadas por vários choques térmicos sucessivos, primeiro o fogo e depois a água, que saturaram as vigas. Serão necessários estudos prolongados e minuciosos.

Qual foi a maior perda arquitetônica com o incêndio?

 Restabelecer a silhueta original da catedral não representa um grande problema, mas a magnífica carpintaria, sobretudo as do coro e a nave, com seus rastros de história desde o século 12, foram perdidos para sempre. Este conjunto era um dos mais belos da França e esta é uma grande perda para o patrimônio, como testemunho de uma herança de artesãos, uma habilidade transmitida de geração para geração. 

Muitos arquitetos querem que as peças de carvalho sejam refeitas com respeito ao conhecimento ancestral. Outros defendem uma reconstrução mais rápida, com estruturas de metal ou concreto.

Será difícil refazer o pináculo?

 A reconstituição do pináculo (conhecido como flecha) não deve representar um problema, pois foi construído no século 19.  Andaimes gigantes e complexos devem ser utilizados. E provavelmente colocado acima da catedral uma espécie de guarda-chuva gigante para permitir ao teto secar. Depois a madeira deverá ser retirada para evitar um desequilíbrio e terá início a fase de secagem geral. Se fosse necessário apoiar as abóbadas que ficam a 33 metros, a operação com os andaimes seria ainda mais complexa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.