Spc Hubert Delany III/U.S Army via AP
Spc Hubert Delany III/U.S Army via AP

Perguntas e respostas sobre a retirada de tropa dos EUA no Iraque

Governo dos Estados Unidos falou na possibilidade de retirar soldados do país asiático após acirramento das tensões

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2020 | 16h07

O anúncio e a posterior negação da retirada das tropas americanas do Iraque tornam a estratégia militar dos Estados Unidos naquele país uma incógnita. Mas uma coisa é certa após a confusão de segunda à noite sobre uma carta enviada aos iraquianos e apresentada como um "rascunho" sobre a reorganização nas tropas: a opção de sair dos americanos está sobre a mesa. 

Veja abaixo perguntas e respostas sobre essa possibilidade: 

Retirada de tropas: como? 

Um alto oficial militar americano explicou à agência de notícias AFP as instruções teóricas de uma retirada dos Estados Unidos, que lidera a coalizão. Segundo ele, o processo normal levaria "semanas", mas, se o contexto se tornar crítico, as operações podem ser realizadas "em vários dias". Aviões de carga transportariam o equipamento por via aérea, enquanto as tropas terrestres seguirão para o sul e para o Kuwait.

Depois, seria preciso analisar as melhores rodovias e os planos de saída para os soldados, os civis e outros funcionários contratados, explicou Jack Watling, do Instituto Real dos Serviços Unidos para Estudos de Defesa e Segurança, think tank especializado em segurança e defesa. "E então decidir que equipes e documentos seriam levados, abandonados ou destruídos". 

Qual era o conteúdo da carta que causou a confusão? 

A carta dirigida aos iraquianos na segunda à noite pelo general William H. Seely, comandante das operações militares dos EUA no país, trata de um "reposicionamento das forças para garantir que a retirada do Iraque seja realizada com segurança e eficácia". Ele declarou ainda que movimentos noturnos de helicópteros se intensificarão em Bagdá.

O exército alemão - outro membro da coalizão contrária ao Estado Islâmico - anunciou que havia transferido 35 de seus soldados para a Jordânia e o Kuwait ", juntamente com soldados de outros países membros da coalizão". A justificativa era de que se os EUA saíssem, eles também deveriam deixar o país. 

O primeiro-ministro iraquiano que está renunciando, Adel Abdel Mahdi, reiterou ao embaixador dos EUA Matthew Tueller e ao chefe da Otan, Jens Stoltenberg, que queria a retirada de tropas estrangeiras, conforme votado pelo parlamento no domingo.

Por que há soldados estrangeiros no Iraque? 

Milhares de soldados estrangeiros estão deslocados nas bases iraquianas em todo o país em um luta comum contra o Estado Islâmico. Em 2014, quando os jihadistas conquistaram um terço do Iraque e de grandes partes da Síria, o ministro das Relações Exteriores do Iraque enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU pedindo ajuda. 

A coalizão de 76 Estados enviou soldados e instrutores para apoiar e treinar forças locais. A implantação desse grupo de trabalho foi feita a pedido do governo e não teve texto ratificado pelo parlamento. 

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Não houve, por exemplo, um acordo detalhado como o "Estatuto das Forças" de 2008, que permitiu a presença de tropas americanas até a retirada de 2011. Além disso, outras forças estrangeiras participam da missão de treinamento da Otan lançada no final de 2018.

Quem está deslocado e onde? 

O maior contingente é de americanos: 5.200 soldados espalhados por várias bases. A maior é a de Ain Al Asad, no oeste, assim como na capital do Curdistão iraquiano, Erbil, e em Bagdá, nos arredores da Embaixada dos Estados Unidos. A coalizão tem ainda 400 soldados britânicos, 200 franceses e 120 alemães. Há ainda milhares de funcionários terceirizados. 

O número de soldados variou nos últimos dias em meio à tensão com o Irã. Na semana passada chegaram a Bagdá pelo menos outros 150 soldados para proteger o corpo diplomático dos EUA após um ataque sem precedentes de iranianos. 

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