Peritos confirmam assinaturas de Saddam em documentos de Dujail

Peritos confirmaram que a assinatura dos dois documentos que condenaram à morte 148 xiitas iraquianos em 1980 são de fato do ex-líder do país, Saddam Hussein, disse o juiz nesta quarta-feira. Nesta última sessão, Saddam estava estranhamente calado. Mas seu meio-irmão e também acusado, Barzan Ibrahim, rejeitou com raiva as conclusões dos peritos. Os acusados pediram que observadores internacionais averiguassem diversos documentos com neutralidade. Saddam e os antigos assessores de seu regime estão em julgamento pela morte de 148 xiitas e a detenção de milhares de outros. Os atos seriam uma retaliação à tentativa de assassinato contra Saddam realizada na principal cidade xiita do país, Dujail, em 1982. O ex-líder se negou a confirmar ou negar que as assinaturas sejam suas. Ibrahim e outros acusados clamaram que os documentos são fraudulentos. Saddam e Ibrahim se recusaram a dar amostras de suas assinaturas, de forma que o time de peritos fez a comparação utilizando outros documentos. Na sessão desta quarta-feira, o juiz chefe do caso, Raouf Abdel-Rahman, leu o veredicto dos peritos dizendo que as assinaturas dos dois memorandos, datados de 10 de outubro de 1982 e junho de 1984, "combinam com as assinaturas de Saddam Hussein." O documento de 1984 aprova a sentença de morte contra as 148 vítimas. Já o documento de 1982 ordena a retirada das terras das famílias de Dujail em retaliação à tentativa de assassinato. Abdel-Rahman colocou o tribunal em recesso até o dia 24 de abril para esperar que os peritos examinem mais documentos. Apesar da autenticidade das assinaturas - o que comprova o consentimento de Saddam nos assassinatos - o julgamento ainda está longe de terminar. A lei iraquiana exige a aprovação do presidente em qualquer ordem de execução, e Saddam confirmou que ordenou o julgamento dos 148 xiitas. Mas ele e os outros acusados argumentam que as ações não foram crimes, uma vez que eles apenas respondiam à tentativa de assassinato. A promotoria pretende mostrar que a retaliação de Saddam foi longe demais. Crianças com menos de 11 anos também teriam sido mortas. Quanto às acusações, Ibrahim diz que não tem medo de uma punição, mas tem medo de que seja "difamado". Saddam e seus sete assessores podem ser condenados à execução por enforcamento caso sejam julgados culpados pelo caso de Dujail.

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