Permanecem presas 13 das 17 pessoas detidas no Paraguai

O juiz paraguaio Pedro Dário Portillo manteve a prisão de 13 das 17 pessoas de origem árabe, detidas na sexta-feira passada pela Força Operacional de Polícia Especializada (FOPE), por porte de documentos falsos e suspeitas de envolvimento com grupos extremistas do Oriente Médio. Três outras pessoas foram liberadas pela Justiça e um outro será deportado por não ter documentação. O chanceler paraguaio, Antonio Moreno Ruffinelli, pediu apoio aos Estados Unidos no combate ao terrorismo da tríplice fronteira.A operação desencadeada pela polícia paraguaia na semana passada em Ciudad del Este e Encarnación, na fronteira com a Argentina, foi a maior já realizada até agora relacionada ao terrorismo na fronteira. Entretanto, por causa da repercussão das detenções, o governo se apressou em afirmar que todas ocorreram por causa de documentação falsa, apesar de autoridades confirmarem, na semana passada, que alguns dos presos são procurados pelo FBI, a polícia federal americana. Confusão - Um dos principais suspeitos era o hindu Abdul Bari Mridha, confundido com Adel Abdul Megid Abdel Bary, procurado pela Polícia Criminalística Internacional (Interpol) em todo o mundo. Hoje, Mridha chegou à Ciudad del Este, onde mantém uma loja de produtos eletrônicos, mas anunciou que não irá processar o governo. "Eu sei que estou limpo, que sou inocente, mas foi apenas um erro deles (a polícia). Eles teriam que investigar mais antes de fazer o que fizeram comigo", afirmou Mridha.Depois de ter sido solto, Mridha procura não falar sobre o que aconteceu e nem sobre o preconceito que a maior parte da comunidade árabe está sofrendo na fronteira. "Tem gente que não conhece o islamismo, não sabem que não temos nada a ver e nunca vamos aceitar os ataques terroristas. Mas todos os árabes estão assustados", revela o comerciante, um dos poucos que abriu sua loja hoje em Ciudad del Este. "Creio que tudo, agora, vai parar mas há uma má propaganda sobre o Paraguai." Reunião - O terrorismo na tríplice fronteira será um dos principais assuntos da reunião de depois de amanhã entre autoridades do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, em Puerto Iguazu, em território argentino. Serão três encontros simultâneos, inclusive com secretários de segurança pública de Estados fronteiriços, além de ministros da Justiça dos três países. A presença do ministro brasileiro, José Gregori, não estava confirmada.Um dos temas será a troca de informações entre as polícias, além de aumentar a cooperação na área de inteligência, o que não vem ocorrendo até agora, mesmo depois do atentado terrorista nos Estados Unidos. Apesar de anunciar que alguns dos procurados pela Interpol em Ciudad del Este haviam fugido para o Brasil, as autoridades paraguaias não pediram qualquer ajuda da Polícia Federal brasileira em Foz do Iguaçu.

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