Permanência de Assad no poder não é crucial, diz porta-voz da chancelaria russa

Em entrevista à rádio de Moscou, Maria Zakharova garantiu que Moscou 'nunca disse' que a continuidade do atual líder sírio no poder é uma 'questão de princípios' para o governo russo

O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2015 | 14h50

(Atualizada às 17h03) MOSCOU - A permanência do presidente sírio Bashar Assad no poder não é uma questão de princípio para Moscou, disse nesta terça-feira, 3, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

"Claro que não, nunca dissemos isso", respondeu Maria a uma pergunta sobre se para a Rússia manter Assad no poder é uma questão crucial, em entrevista à emissora de rádio "Eco" de Moscou.

A porta-voz insistiu na postura oficial de Moscou, de que o povo sírio que deve decidir o destino de Assad, como nas últimas semanas já havia afirmado o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov. "Nós não dizemos se Assad deve sair ou ficar", ressaltou Maria.

A Rússia, que considera Assad o presidente legítimo da Síria e seu principal aliado, começou em 30 de setembro uma intervenção aérea à pedido do líder sírio, o que deu legitimidade à operação, de acordo com o presidente russo, Vladimir Putin.

O objetivo da operação, segundo a Rússia, é apoiar as tropas governamentais sírias em sua ofensiva terrestre. Moscou ressalta que o terrorismo do Estado Islâmico (EI) e de outros grupos é uma ameaça comum e, além dos bombardeios, deve ser iniciado um processo de acerto político.

A porta-voz da chancelaria reiterou hoje que o futuro de Assad não foi objeto de discussão durante a última reunião ministerial em Viena, quando foi discutida a possibilidade de ser lançado um processo de diálogo na Síria.

Irã. A declaração sugere uma divergência de opinião com o Irã, outro grande apoiador internacional do líder sírio. Alimentando a especulação sobre as diferenças entre Rússia e Irã a respeito de Assad, o chefe da Guarda Revolucionária iraniana deu a entender na segunda-feira que o Irã pode estar mais comprometido com Assad do que os russos, declarando que Moscou "pode não se importar tanto quanto nós se Assad continua no poder".

Embora Rússia e Irã venham se mostrando os apoiadores externos mais destacados de Assad durante os mais de quarto anos de guerra civil na Síria, os Estados Unidos, seus aliados no Golfo Pérsico e a Turquia vêm insistindo que o presidente sírio deve sair para haver um acordo de paz no futuro.

Na sexta-feira da semana passada, os principais envolvidos na busca por uma solução à crise síria se reuniram em Viena, mas o esforço diplomático para se chegar a um entendimento sobre Assad fracassou. / EFE e REUTERS 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.