AFP PHOTO / GREG BAKER
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Permanência de Xi no poder eleva certeza sobre continuidade de agenda política, dizem analistas

Para a Eurasia, decisão aumenta a chance de o projeto do líder seguir em frente, focado em redução dos riscos financeiros, alívio à pobreza, proteção ambiental e construção de indústrias estratégicas; mas cenário também pode levar ao fracasso e criar incerteza sobre futura sucessão

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 13h53

A proposta do Partido Comunista chinês de acabar com o limite de dois mandatos consecutivos para presidente, anunciada no domingo 25, pegou os mercados de surpresa e fez analistas ponderarem o que a manobra pode significar para o futuro da economia do país.

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Se aprovada pelo Congresso Nacional do Povo, a mudança na Constituição chinesa permitirá que o atual presidente, Xi Jinping, permaneça no cargo além de 2023, quando encerraria seu segundo mandato.

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Para a Eurasia, a permanência de Xi no poder aumentaria a certeza sobre a continuidade de sua agenda, focada em redução dos riscos financeiros, alívio à pobreza, proteção ambiental e construção de indústrias estratégicas. Por outro lado, o ambiente político resultante desta manobra pode aumentar o risco de fracasso dessa agenda e criar grande incerteza sobre a futura sucessão.

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“Talvez o maior significado potencial disso é que Xi pode agora fazer o sistema da China focar em iniciativas ambiciosas de reforma que exigem esforços de longo prazo. Questões espinhosas, como reformar os sistemas de saúde e previdência não podem mais ser adiados", disse a Eurasia em nota.

Analistas da Capital Economics concordam que mandatos mais longos podem incentivar reformas duras, mas apontam ceticismo de que Xi Jinping agirá dessa maneira.

"Se Xi estivesse falando sério sobre priorizar a saúde da economia a longo prazo em vez do crescimento a curto prazo, a maneira mais eficiente de sinalizar isso para o país seria abandonar a meta de crescimento nacional, ou, pelo menos, reduzi-la substancialmente. Mesmo assim, o governo parece firme em manter a meta em 'cerca de 6,5%' no Congresso na semana que vem", afirmou a empresa.

Já a Pantheon ressalta que a concentração de tamanho poder nas mãos de uma única pessoa pode trazer sérias consequências. "Até agora, os problemas têm sido fáceis de administrar. No futuro, porém, podemos esperar um impacto ainda maior das decisões ousadas de Xi. Isso significa períodos de calma, seguidos por picos de volatilidade."

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