Perón abriu as portas. E os nazistas chegaram

No auge do fascismo e depois da Segunda Guerra, muitos conseguiram abrigo na Argentina

Buenos Aires, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2030 | 00h00

No dia 8 de maio de 1945, quando o almirante Karl Dönitz assinava a rendição incondicional do Terceiro Reich diante dos representantes aliados, milhares de criminosos de guerra nazistas procuravam desesperadamente fugir para outros países. Encontraram boas condições na Argentina do então coronel Juan Domingo Perón, simpatizante do fascismo. O processo acelerou-se quando Perón chegou ao poder, em 1946. Ele e a esposa Eva acolheram milhares de nazistas, entre os quais, segundo a sede latino-americana do Centro Simon Wiesenthal, pelo menos 300 criminosos de guerra, entre alemães, franceses, belgas e croatas. Entre os "hóspedes" de Perón (e dos governos seguintes) estiveram Adolf Eichmann e Josef Mengele. Também especula-se que o ideólogo de Hitler, Martin Bormann - cujo corpo nunca foi encontrado - teria obtido refúgio na Argentina e dali escapado para o Chile. Havia ilações de que até Führer se escondia na Patagônia. O presidente argentino empregou ainda o principal criminoso de guerra croata, Ante Pavelic, como chefe de sua guarda especial. Na última década e meia foram localizados e extraditados para julgamento na Europa quase uma dezena de criminosos. Entre eles, Walter Kutschmann, Dinko Sakic e Erich Priebke - este último, quando embarcou para a Itália, foi saudado efusivamente por integrantes da Polícia Federal argentina, conhecida por alimentar tendências anti-semitas no passado. A Argentina também forneceu à Alemanha um punhado de nazistas nativos, a maioria de pouca relevância no Reich. Mas um deles, Walter Darré, foi atuante. Filho de alemães, nasceu em Buenos Aires em 1895. Na adolescência, foi estudar na Alemanha. Lutou na Primeira Guerra e posteriormente entrou no Partido Nazista, onde formulou a teoria do Boden und Blot (Terra e Sangue). Junto com Alfred Rosemberg, escreveu as Leis Raciais de Nurenberg, que condenaram à segregação e à morte milhões de judeus. Ele influenciou o chefe da SS, Heinrich Himmler, a criar uma aristocracia racial alemã baseada no cruzamento seletivo. Darré foi o ministro da Agricultura e diretor do Departamento de Raça e Reassentamento. Julgado em Nuremberg, foi condenado a sete anos de prisão. No entanto, foi solto em 1950. A versão oficial é de que morreu de cirrose em 1953. Mas, no cemitério de Munique, onde estaria enterrado, não há registros de seu túmulo.

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