Peronismo abriga tudo, diz Mujica

Líder uruguaio fala em universidade dos EUA

Cláudia Trevisan, Correspondente - O Estado de S.Paulo

14 Maio 2014 | 02h08

WASHINGTON - A Argentina é vítima de sua história, marcada por uma sucessão de golpes de Estado, disse ontem o presidente do Uruguai, José Mujica, durante visita a Washington. Segundo ele, o peronismo não é uma ideologia, mas um "gigantesco sentimento" dentro do qual "há de tudo".

Quem não está na mesma sintonia e comete "o erro" de se tornar presidente do país verá essa maioria se voltar contra ele, observou Mujica, que defendeu a necessidade de entender a Argentina: "É fácil criticá-la."

Para uma plateia de uruguaios e estudantes da American University, ele falou do país vizinho, fez uma profissão de fé humanista e defendeu a globalização e o livre comércio. "Passamos 40 anos tentando construir um sistema comercial aberto na Organização Mundial do Comércio (OMC) e o sepultamos, fomos para trás", afirmou, condenando a formação de blocos.

"O mundo tem uma agenda crescente de problemas internacionais, como o aquecimento global, que não podem ser enfrentados pelos Estados nacionais", sustentou. "Precisamos de uma governança global."

Mujica disse que o Uruguai teve mais sorte que a Argentina em sua história política e, no início do século 20, já trazia as sementes de mudanças recentes adotadas no país, entre as quais mencionou o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a regulamentação do cultivo e venda de maconha.

Há quase um século, o Uruguai reconheceu o divórcio por decisão da mulher, fez uma radical separação entre igreja e Estado que o transformou no país mais laico da América Latina e nacionalizou a produção de bebidas alcoólicas. "Não deveriam estranhar que agora regulamentamos a maconha", disse.

Sem fazer referência a nenhum país, Mujica declarou que a demagogia e o populismo são as maiores "patologias" das democracias da América Latina. Nos EUA, o equivalente é o poder do lobby econômico. "Os fracos não fazem lobby", afirmou.

Mujica defendeu o processo de paz na Colômbia e disse que o envolvimento das Farc com o narcotráfico é o resultado da história do país. "A pior negociação é melhor do que a melhor guerra."

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