Peronismo prepara-se para eleições antecipadas

Enquanto o governo do presidente Fernando de la Rúa enfrenta o caos no front financeiro, o Partido Justicialista (Peronista), da oposição, se prepara para uma eventual transição política.Esta transição ocorreria no caso da renúncia de De la Rúa, possibilidade especulada cada vez com maior insistência, tendo em vista a possibilidade de um eventual calote no pagamento da dívida pública ou de uma desvalorização da moeda, que, segundo analistas, tenderia a causar a queda imediata do governo.Na segunda-feira que vem, o peronismo assumirá simultaneamente a presidência do Senado e da Câmara dos Deputados. Este será um fato inédito na história do país, já que nunca antes um partido de oposição esteve no comando das duas casas do Congresso Nacional.Por este motivo, calcula-se que, ao longo da próxima semana, o peronismo tentaria aprovar uma nova "lei de acefalia", ou seja a lei que trata da substituição do presidente da República em caso de renúncia ou doença.A maior parte do peronismo pretende que a convocação de novas eleições presidenciais ocorra em um prazo de 45 dias após uma hipotética saída do presidente. Mas o principal ponto desta nova lei é a permissão para que cada partido possa apresentar um número ilimitado de candidatos ao mesmo cargo.Esta possibilidade favoreceria o peronismo, que está engalfinhado em profundas lutas internas para a definição de um líder.No momento, existem pelo menos quatro potenciais candidatos à presidência pelo partido, entre eles o governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, o governador de Santa Fe, Carlos Reutemann, o governador de Córdoba, José Manuel de la Sota e o senador Eduardo Duhalde. Sem conseguir chegar a um acordo de um candidato único, o peronismo poderia resolver sua luta interna nas próprias urnas.O ex-presidente Carlos Menem é o único peronista que se opõe a esta alteração da lei. Menem seria um dos prejudicados, já que a Constituição estabelece que, por ter deixado a presidência em 1999, precisaria esperar um período de quatro anos antes de poder ser candidato.Além disso, alegando a gravidade da crise, o peronismo pediu ao presidente De la Rúa que o Congresso Nacional não entre em férias e permaneça em sessões extraordinárias ao longo dos próximos meses. Com isto, impediria que De la Rúa governasse por decretos.Nesta quinta-feira, o peronismo emitiu um comunicado informando o governo de que não aceitará qualquer sinal de desvalorização da moeda.Hugo Moyano, secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) dissidente, afirmou que os argentinos "não terão um destino econômico enquanto a paridade um a um entre o peso e o dólar permanecer".Na semana que vem, a CGT dissidente e a CGT oficial pretendem realizar uma greve de 24 horas, que incluirá marchas de protestos, panelaços e buzinaços contra o semicongelamento de depósitos bancários e a política econômica.

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