Peronistas dividem-se sobre mandato de presidente

Um confronto direto entre o ex-presidente Carlos Menem e o atual governador de Córdoba, José Manuel de la Sota, talvez seja a expressão mais direta da luta que se desenvolve entre os peronistas a favor e contra a manuteção do atual governo até março de 2003. Menem, que esteve hoje com o novo presidente Adolfo Rodríguez Saá, é a favor de que ele "complete o mandato de Fernando De la Rúa". De la Sota reage: "Menem não deve conhecer a resolução do Legislativo, que impôs um teto para o mandato." Para, o ex-presidente, "o compromisso inicial pode ou não ser cumprido." De la Sota invoca a lei: "Seria descumprir a lei se não houver eleições em três meses." E acrescenta que o atual governo é provisório e que o Congresso o designou apenas por 90 dias. Em seu encontro hoje com o presidente, Menem pediu a ele que não desvalorize a moeda e que não isole a Argentina do mundo. E reafirmou sua crença de que ele permaneça. "Já há vários recursos na Justiça para que ele siga até 2003", disse o ex-presidente. De la Sota está também trabalhando em outra frente. Em uma entrevista a uma emissora de rádio de Buenos Aires, reproduzida pelos sites dos principais jornais argentinos, ele disse que é favorável a que os poupadores recebam seus depósitos a prazo fixo em dólares. Ele argumentou que justamente eles, que confiaram no país e mantiveram seus recursos depositados na Argentina e não no exterior, não podem pagar a conta. Defendeu, ainda, que os poupadores tenham suas dívidas desdolarizadas, criando um discurso antagônico ao que o atual governo vem trabalhando para fixar entre os argentinos. Enquanto debatem sobre sua permanência ou não no governo e com a mesma desenvoltura e entusiasmo que tem demonstrado nos últimos dias, o presidente Rodrígues Saá assumiu hoje a presidência temporária do Mercosul, cargo que lhe foi passado em almoço em Buenos Aires pelo presidente do Uruguai, Jorge Batlle, que presidiu o bloco nos últimos seis meses. Questionado sobre a duração do governo, seu ministro do Interior, Rodolfo Gabrielle, disse que ?o governo mal começou, não falemos sobre quando acaba." E tratou de debater os planos de criação de 1 milhão de empregos que estão sob sua responsabilidade.Se depender da CGT, Rodríguez Saá fica A área trabalhista parece estar de acordo. Se depender da CGT, pelo menos, Rodríguez Saá fica. O senador Luis Barrionuevo, alinhado à CGT oficial, garante que as duas CGTs apoiarão o novo presidente "até a morte". Barrionuevo não economizou nos adjetivos e concluiu que Rodríguez Saá "veio para ficar até 2003." Barrionuero disse que Saá pode contar com o apoio dos trabalhadores e de Rodolfo Daer e Hugo Moyano, presidentes das duas CGTs. Nos bastidores começam a surgir versões sobre a noite da indicação de Rodríguez Saá. Na mesma ocasião vários peronistas foram indicados, Rubén Marín, Ramón Puerta e Néstor Kirchner para ocupar a presidência por três meses, mas todos recusaram. As informações foram divulgadas por e-mail pela assessoria de impresa de Marín, governador de La Pampa. Ele próprio disse ter recusado por achar que deva ficar mais tempo à frente da sua província. Mas Kirchner e Puerta se negaram a conduzir o país "por tão pouco tempo".Leia o especial

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