Perry é acusado de ceder a lobby da Merck

NOVA YORK

, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

A vacina contra o HPV tem sido bastante recomendada pelas associações de médicos, incluindo a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Americana de Câncer, para prevenção do câncer cervical, que anualmente é causa da morte de cerca de 4 mil mulheres americanas.

A idade recomendada para a vacinação nas meninas é de 11 ou 12 anos, antes de se tornarem sexualmente ativas. Mas somente o Estado da Virginia e o Distrito de Columbia exigem que as meninas sejam vacinadas quando começam a cursar o ensino fundamental.

Quando Rick Perry determinou a vacinação por meio de um Ato do executivo, em 2007, o Texas tornou-se o primeiro Estado a exigir a vacinação, embora os pais tenham poder de escolha. A decisão foi imediatamente contestada - o Legislativo do Estado derrubou-a por maioria de ambos os partidos antes de ela entrar em vigor - e na ocasião foram levantadas críticas de que Perry estaria favorecendo seu ex-chefe de gabinete, Mike Toomey, então um lobista da Merck, fabricante da primeira vacina contra o HPV no mercado, Gardasil.

Na época, o laboratório vinha pressionando os legisladores para que exigissem que as meninas do ensino fundamental fossem vacinadas com o Gardasil, mas em meio às críticas que partiram de grupos conservadores, preocupados que essa vacinação pudesse se transformar numa promoção do sexo precoce, a empresa desistiu de seus esforços.

Michelle Bachmann, cuja campanha perdeu ímpeto desde que Perry entrou na disputa pela indicação republicana, no mês passado, aproveitou o debate na segunda-feira para acusar o governador do que qualificou de "capitalismo de compadrio" por causa dos seus vínculos com Toomey e a Merck, que fez doações para a campanha dele.

Perry, que durante o debate disse ter trabalhado com os legisladores do Texas, e não assinado um decreto, rejeitou a sugestão de que podia ser comprado com uma mera contribuição de US$ 5 mil (registros mostram que recebeu US$ 30 mil da Merck).

Um porta-voz do governador, Mark Miner, qualificou os comentários de Michele e de outros de "ridículos". "Você vai ver candidatos lutando para chamar atenção", disse. "Mas o governador Perry continuará se concentrando em assuntos que considera importantes para a população, como a criação de empregos e melhora da economia."

Michele afirmou que continuará a debater a questão da vacina, pois isso mostrará "diferenças bem reais" entre ela e Perry.

Para estrategistas republicanos, o assunto não deverá desaparecer e as medidas adotadas por Perry em 2007 foram questionadas não só pelos conservadores religiosos, mas também por outros membros do partido e independentes.

Na terça-feira, Rush Limbaugh disse que Michele "pode ter dado início ao seu declínio" ao ligar as vacinas contra o HPV ao retardo mental. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO - NYT

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