Perseguição constrange herdeiros da empresa

Governo tenta provar na Justiça que a presidente do Grupo Clarín adotou filhos de desaparecidos da ditadura

, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

A guerra dos Kirchners contra o Grupo Clarín chegou ao nível pessoal, com perseguição à família que controla a holding. Desde 2008, o governo tenta provar na Justiça que os dois herdeiros do grupo, Marcela e Felipe Herrera de Noble, ambos de 36 anos e adotados em 1976 por Ernestina Herrera de Noble, são filhos de desaparecidos da ditadura.

A divulgação do resultado de um exame de DNA foi suspensa há três semanas depois que o Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG), ligado ao governo, declarou que as amostras de material genético obtidas eram insuficientes para a comparação com o DNA de parentes de desaparecidos. A coleta, porém, marcou um dos episódios mais sujos da disputa entre a família Herrera e o governo.

Em dezembro, os dois herdeiros submeteram-se à extração de sangue no Corpo de Medicina Legal de Buenos Aires, subordinado ao Judiciário argentino. A cessão voluntária, no entanto, não foi aceita pelo juiz que cuida do caso, Conrado Bergessio.

Agentes do BNDG, então, invadiram a casa da família, em maio, e, sob a mira de armas e na presença de sete policiais, obrigaram os dois a ficarem nus e confiscaram meias e peças íntimas em busca de material para o teste de DNA. Os agentes também apreenderam escovas de dentes e de cabelos.

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