REUTERS/Marco Bello
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Perseguição de Maduro dificulta campanha de rivais

Principais opositores estão no exílio ou inabilitados para concorrer à presidência por condenações judiciais e acusações de corrupção

O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2018 | 21h09

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, escolheu um momento em que a oposição ao chavismo está enfraquecida para antecipar a votação presidencial, anteriormente prevista para dezembro, que agora será realizada até o fim de abril. Perseguidos pelo governo, os principais líderes opositores estão inabilitados para disputar eleições, presos ou no exílio. 

Além disso, não há consenso na Mesa da Unidade Democrática (MUD), a coalizão que reúne as vozes antichavistas, por nenhum candidato. Maduro, que se declarou “às ordens” para participar da disputa, é favorito, apesar de sua baixa aprovação - que ronda os 20%, segundo o instituto Datanálisis.

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Condenado a 14 anos de prisão por incitar os protestos de 2014 contra Maduro, durante os quais 43 pessoas foram mortas, o opositor Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular, não pode se candidatar por estar cumprindo pena - em regime domiciliar desde julho, após quase três anos na prisão militar de Ramo Verde.

O ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, detido pelo Serviço Bolivariano de Inteligência, em fevereiro de 2015, e condenado a 16 anos por “liderar grupos que pretendem desestabilizar o país com ações violentas”, também passou por Ramo Verde antes de ser transferido para prisão domiciliar. Ele fugiu da Venezuela em novembro.

Henrique Capriles - que foi derrotado duas vezes em eleições presidenciais, em 2012, por Hugo Chávez, e em 2013, por Maduro - foi inabilitado em abril a disputar eleições por 15 anos, após a Controladoria-Geral acusá-lo de irregularidades e corrupção enquanto era governador de Miranda.

Já Freddy Guevara, ex-vice-presidente do Parlamento venezuelano, de maioria opositora, refugiou-se na Embaixada do Chile em Caracas, após a Suprema Corte venezuelana retirar seu foro privilegiado e impedir sua saída do país, em novembro. David Smolansky, ex-prefeito de El Hatillo, exilou-se após ser condenado a 15 meses de prisão, em agosto, por ter se negado a reprimir protestos antichavistas no município que governava.

Repúdio internacional

Pouco após a poderosa Assembleia Nacional Constituinte venezuelana aprovar a antecipação das eleições, na terça-feira, o Grupo de Lima - composto por 14 países latino-americanos, entre eles, o Brasil - rejeitou a manobra, declarando que ela torna “impossível a realização de eleições presidenciais democráticas, transparentes e confiáveis”. Os EUA também repudiaram a antecipação da votação. / REUTERS e AFP 

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