Perspectiva de saída para a crise anima venezuelanos

A crise venezuelana poderia chegar a uma saída mais otimista após o avanço positivo das negociações e o anúncio feito pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de que poderá decidir nos próximos dias sobre a viabilidade ou não de um referendo consultivo. Ambos os fatos aliviaram um pouco a situação de grave tensão provocada pela convocação a uma greve geral nacional a partir de 2 de dezembro lançada pela opositora Coordenadoria Democrática. Esta seria a quarta greve em menos de um ano para exigir que o presidente Hugo Chávez renuncie ao mandato - algo que o governante afirmou no sábado que não fará, ainda que se realize um referendo. Essas declarações encerraram uma semana de confrontos, em que até o mesmo o mediador César Gaviria, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), expressou sua preocupação sobre o futuro das negociações. Apesar disso, um primeiro sintoma de mudança foi exposto pelo próprio Gaviria, que, no final da sessão de negociações entre oposição e governo na segunda-feira à noite, qualificou-a como "a mais longa e, sem dúvida, a melhor que já tivemos". Embora Gaviria tenha reconhecido que não se avançou "concretamente", destacou que esta será uma semana crucial para o proceso e convocou as partes e a comunidade internacional a "darem uma oportunidade ao processo" em sua busca de uma saída eleitoral e democrática para a crise. Outro sinal veio do CNE, cujo vice-presidente, José Manuel Zerpa, afirmou que nos próximos dias poderá ser anunciada a decisão da entidade sobre a convocação ou não de uma consulta popular. Zerpa explicou que isso será possível, já que em breve o Conselho concluirá a verificação dos dois milhões de assinaturas que acompanharam a petição. Hoje, o jornal El Universal publicou, citando fontes confidenciais, que o CNE discute como datas alternativas para a realização do referendo os domingos 2 ou 9 de fevereiro do ano 2003. A razão é simples: essas datas obedecem ao prazo exigido pela Lei Orgânica do Sufrágio em relação a que a consulta deve realizar-se entre 60 e 90 dias após ser apresentada a solicitação, o que ocorreu em 4 de novembro. A comissão verificadora do Conselho foi reforçada com 400 novos assessores a fim de agilizar o trabalho. Zerpa explicou que já foram revisados 68% das assinaturas e que, embora em valores aproximados, o custo do referendo deve ser de aproximadamente US$ 2 por votante. Apesar da expectativa criada por todas essas manifestações, vários membros da oposição disseram que não voltarão atrás em sua decisão de ir à greve.

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