AP Photo/Carolyn Kaster
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Perto de deixar o cargo, Obama tenta consolidar legado com viagem à Europa

Presidente defende isolamento da Coreia do Norte, fala que só levanta sanções à Rússia se Moscou cumprir acordos de Minsk e diz estar preocupado com aumento da violência na Síria

O Estado de S. Paulo

24 Abril 2016 | 21h09

HANNOVER, ALEMANHA - Nos EUA, Barack Obama ainda tem oito meses de mandato, algumas batalhas políticas e a eleição de um sucessor. Mas, no exterior, ele começou uma lenta despedida. Ontem, ao chegar à Alemanha, o presidente americano parecia um líder perto da aposentadoria que busca consolidar seu legado. Após reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel, ele abordou questões globais, criticou a atuação russa na Ucrânia e rejeitou um acordo com a Coreia do Norte.

Em sua passagem por Londres, no sábado, Obama defendeu suas conquistas: a reforma no sistema de saúde dos EUA, o acordo nuclear com o Irã, a maneira como lidou com a histeria envolvendo a epidemia de ebola e o trabalho que teve para “salvar a economia mundial de um novo colapso”. “Tudo isso valeu a pena”, disse. “Mas não acho que saberemos qual foi o meu legado em pelo menos de dez anos.”

Ontem, ao lado de Merkel, ele dissertou sobre vários temas globais. Obama criticou a proposta da chanceler alemã de criar “zonas seguras” para abrigar refugiados dentro do território sírio. “Não é questão de não querer ajudar e proteger um monte de pessoas. É uma questão muito prática: como você faz isso?”, questionou o presidente, que afirmou estar “muito preocupado com o aumento da violência na Síria”. 

Sobre a Coreia do Norte, ele defendeu o isolamento maior de Pyongyang e pediu que a China exerça mais pressão sobre o regime de Kim Jong-un, que frequentemente vem realizando testes de mísseis balísticos. “Embora os testes falhem frequentemente, cada vez que o país que realiza um teste aumenta mais seus conhecimentos. E levamos isto muito a sério”, disse.

Crise na Ucrânia. Para conseguir uma solução “pacífica e duradoura” para a crise na Ucrânia, Obama reiterou ontem que as sanções contra a Rússia “só serão suspensas” se Moscou cumprir todos os compromissos assumidos em Minsk” - que tenta por fim à guerra no leste ucraniano.

Ainda falando sobre a pressão russa, Obama ratificou sua decisão de enviar tropas ao Leste Europeu e ressaltou a importância de os membros da Otan aumentarem seus orçamentos de Defesa em razão do que chamou de “agressiva posição da Rússia” e seus “enormes gastos militares”. “Temos a obrigação de defender todos os nossos aliados e faremos isso”, disse.

O presidente americano garantiu também que o G-7 (grupo das sete nações mais industrializadas do mundo) está preparando um pacote de assistência econômica para o Iraque, com o objetivo de contribuir para sua estabilização país. A medida será discutida na próxima reunião do grupo, marcada para 26 de maio no Japão.

Reunião informal. Hoje, em Hannover, o presidente americano fará uma reunião informal com Merkel, com o presidente da França, François Hollande, e com os primeiros-ministros britânico, David Cameron, e italiano, Matteo Renzi. 

Na agenda do encontro estarão temas globais, como o combate ao extremismo jihadista, a guerra civil na Síria, o impasse político na Ucrânia e a crise refugiados que afeta a Europa. À noite, o presidente americano volta a Washington. 

O giro de Obama, considerado por muitos analistas como sua última viagem à Grã-Bretanha e à Alemanha, também incluiu uma passagem pela Arábia Saudita. Em Riad, o presidente buscou reafirmar a aliança dos EUA com os países árabes do Golfo.

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