Perto do Ramadã e à beira de uma guerra civil

Quando começar o Ramadã, na semana que vem, os combatentes na Líbia não poderão comer nem beber durante o dia, sob temperaturas que chegam aos 45 graus à sombra. Há sinais de que os rebeldes, no oeste, estariam gradualmente chegando ao limite de suas forças. Até seus líderes militares em Zintan reconhecem que não há planos para avançar além das montanhas e se arriscar numa marcha até Trípoli. Em vez disso, esperam uma revolta na capital.

Mathieu Von Rohr / Der Spiegel, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

A cada dia que passa, o levante popular contra Kadafi se assemelha mais e mais a uma guerra civil. De início, pareceu que os líbios tinham todos se unido numa revolta contra o homem que havia controlado o país nos últimos 42 anos. De maneira semelhante aos levantes nos países vizinhos, Egito e Tunísia, a revolta na Líbia teve início em meados de fevereiro com protestos pacíficos, mas o ditador se recusou a deixar o poder e respondeu com uma guerra contra a população civil. Isso motivou a intervenção da Otan.

A realidade é mais complicada, como podemos ver nas montanhas de Nafusa, no oeste, onde os rebeldes estão. A situação na Líbia é dificultada pelo fato de se tratar de uma sociedade tribal - e não de um Estado-nação como seus vizinhos. A maioria dos líbios se opõe a Kadafi, mas ainda há tribos importantes que manifestam seu apoio a ele, entre elas a warfalla, a tarhuna e a tribo kadafa, do próprio ditador.

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