Peru: adversário de Humala no 2º turno permanece indefinido

A congressista Lourdes Flores e o ex-presidente Alan García mantêm a disputa pela vaga no segundo turno das eleições presidenciais peruanas, diante da liderança consolidada pelo nacionalista Ollanta Humala. Nenhum candidato alcançou a maioria absoluta nas eleições presidenciais realizadas neste domingo no Peru, por isso haverá um novo turno entre os dois candidatos mais votados. Com 75% dos votos contabilizados, Humala mantém uma liderança confortável com 29,6% dos votos. Garcia aparece em segundo lugar, com 24,9%, e Flores logo atrás, com 24,7%. O empate técnico entre os dois candidatos exigirá a apuração dos votos até a última cédula, o que exigirá que o segundo turno seja adiado de maio para junho. A votação inclinou-se para Flores nas áreas urbanas e os mercados financeiros do Peru respiraram aliviados nesta segunda-feira pois a margem da vitória de Humala foi modesta. A base política de Humala está na maioria índia e mestiça do país, especialmente nos montanheses que falam Quechua, que foram discriminados por séculos pela elite política de origem européia. O apoio de Garcia está igualmente dividido entre áreas urbanas e rurais. Seu partido, o Aprista, é o mais organizado do país. Uma pesquisa não oficial realizada pelo grupo Transparencia, aponta Humala com 29,9% dos votos, Garcia com 24.4% e Flores com 24.3%. A projeção baseou-se em 928 seções eleitorais e possui uma margem de erro de menos de 1%. Uma vitória de Humala pode mudar a orientação da nação andina para a esquerda. O candidato instalou o medo entre a classe média e alta do Peru ao identificar-se com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Flores e Garcia prometeram manter as políticas de livre mercado que geraram o crescimento de 5,5% nos últimos quatro anos mas não conseguiram criar empregos suficientes para os peruanos. O nível de pobreza no país chega a 50% da população. Garcia, de 56 anos, cuja administração (1985-90) resultou em um enfraquecimento da economia e crescente insurgência, advertiu que apoiar Humala seria lançar o Peru "no vácuo". Contudo, após a votação de domingo, ele estava mais preocupado com Flores, a primeira mulher a ter chances em uma corrida presidencial no país.

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