REUTERS/Mariana Bazo
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Peru condena militares a até 25 anos de prisão por matança em Ayacucho

Massacre aconteceu no vilarejo de Accomarca, em 1985, quando tropas do Exército buscavam um grupo de rebeldes do Sendero Luminoso e acreditavam que no local funcionava uma escola de doutrinamento comunista

O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2016 | 19h07

LIMA - A justiça peruana condenou nesta quinta-feira, 1º, a penas de entre 10 e 25 anos de prisão vários militares responsáveis pela matança de 71 camponeses, entre eles crianças, mulheres e idosos, em uma localidade andina de Ayacucho ocorrida há 31 anos.

O massacre aconteceu no vilarejo de Accomarca em 14 de agosto de 1985, quando tropas do Exército lideradas pelo ex-tenente Telmo Hurtado buscavam um grupo de rebeldes do Sendero Luminoso e acreditavam que no local funcionava uma escola de doutrinamento comunista.

Segundo a Comissão da Verdade e Reconciliação, os militares entraram violentamente em Accomarca assassinando alguns homens enquanto procuravam material subversivo, mas "não foram encontradas armas, munições, explosivos ou propaganda do Sendero Luminoso".

Em seguida, Hurtado ordenou que se trancasse 23 crianças e um grupo de mulheres em uma casa rústica e os homens em outra para, na sequência, disparar contra eles e incendiá-los, acrescentou a comissão.

O tribunal atribuiu a Hurtado uma pena de 23 anos de prisão. Ele foi extraditado dos Estados Unidos em 2011 e admitiu sua responsabilidade, embora tenha dito que atuou por ordens superiores.

Mesmo assim, a Justiça condenou o general do Exército reformado Wilfredo Mori a 25 anos de cadeia por considerá-lo o autor direto dos assassinatos. A corte também condenou os ex-tenentes Juan Rivera Rondón a 24 anos de prisão, Nelson Gonzales Feria a 25 anos e Carlos Delgado Medina a 25 anos, e outros 10 soldados a 10 anos de encarceramento. / REUTERS

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