Luis ROBAYO / AFP
Luis ROBAYO / AFP

Peru diz que aceitará até passaportes vencidos de venezuelanos

Néstor Popolizio, chanceler do país, diz que exigência do documento é necessária pois muitas pessoas usaram documentos de identidade falsos na fronteira; ele prometeu, no entanto, que os imigrantes em situação irregular não serão deportados

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 09h29

LIMA - O chanceler do Peru, Néstor Popolizio, defendeu a decisão de exigir passaporte aos venezuelanos que fogem da crise em seu país, alegando que muitas pessoas apresentaram identidades falsas na fronteira.

"O Peru é um país que seguirá recebendo os venezuelanos. As medidas adotadas são para ordenar a imigração em termos de segurança e regulamentação", explicou Popolizio sobre a medida, que entrará em vigor a partir de sábado.

O representante do governo destacou que o Peru aceitará passaportes vencidos e concederá vistos humanitários em situações  excepcionais. Segundo Popolizio, o país constatou que venezuelanos "entraram irregularmente com identidades facilmente falsificáveis".

"Há casos em que tivemos que recorrer à Interpol para saber dos antecedentes e os passaporte permite checar se a pessoa é procurada", disse o ministro peruano de Relações Exteriores. "Tais medidas são ações preventivas e buscamos evitar que surjam sentimentos de xenofobia em relação aos venezuelanos."

Apoio aos venezuelanos

O chanceler também destacou que o país será solidário com os venezuelanos e prometeu que não há intenção de deportá-los. "Não há previsão de iniciar qualquer processo de deportação dos venezuelanos em situação irregular", disse.

A polêmica começou no domingo, quando entrou em vigor uma norma que estabelece 31 de dezembro deste ano como prazo para que os venezuelanos solicitem a Permissão Temporária de Permanência (PTP), documento que os autoriza a morar e trabalhar no Peru.

A nova regra também reduziu o alcance do PTP. Antes, a autorização podia ser pedida pelos venezuelanos que chegassem ao país até o dia 31 de dezembro. Agora, apenas aqueles que cruzarem a fronteira antes do fim de outubro poderão solicitar o documento.

O anúncio das medidas coincidiu com o momento em que o Peru registrou o recorde de 5,1 mil venezuelanos entrando no país em um único dia. Mas o chanceler ressaltou que as medidas são necessárias para garantir a segurança e a ordem na migração.

"É importante que todos passem por um processo que permita que as autoridades saibam que eles são, para que possamos dar-lhes as facilidades correspondentes para que trabalhem, para que vão a escola ou que possam ser atendidos no sistema de saúde", disse.

Popolizio avaliou que a fuga "ocorre porque na Venezuela não há trabalho, comida e remédios". "Há uma ditadura e isto gera êxodo", opinou.

O Peru calcula que mais de 20 mil venezuelanos deverão entrar no país antes do início da exigência do passaporte. Além disso, ao menos 400 mil venezuelanos ingressaram no país nos últimos dois anos, com base na política de portas abertas diante da crise social e econômica que devasta a Venezuela. / AFP e EFE

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