REUTERS/Guadalupe Pardo
REUTERS/Guadalupe Pardo

Peru diz que presença da Venezuela na Cúpula das Américas em abril ‘não será bem-vinda’

Declaração da chanceler Cayetana Aljovín durante reunião do Grupo de Lima foi respaldada pelos presentes; políticos peruanos de todos os setores apoiaram no Parlamento um pedido para que se rejeitasse a entrada de Nicolás Maduro no país

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 08h01

LIMA - A presença do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na 8.ª Cúpula das Américas, que será realizada em Lima nos dias 13 e 14 de abril, "não será bem-vinda" pelo governo do Peru, afirmou na terça-feira 13 a chanceler Cayetana Aljovín.

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As palavras da ministra foram ditas na saída de uma reunião do Grupo de Lima na capital peruana, na qual chanceleres e representantes de 12 países do continente americano debateram sobre medidas a serem tomadas após a convocação de eleições presidenciais antecipadas na Venezuela para o dia 22 de abril.

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"Quero informar que o governo do Peru, com o apoio do Grupo de Lima e segundo a declaração de Quebec de 2001, que afirma que a ruptura da democracia constitui um obstáculo insuperável para a participação de um Estado na Cúpula das Américas, queremos expressar com relação ao convite (de Maduro) à Cúpula que a sua presença não será bem-vinda em tal encontro", afirmou Cayetana.

A declaração, que foi respaldada pelos países presentes na reunião, implica que o presidente venezuelano não poderá comparecer ao encontro, ao qual as autoridades do país já tinham anunciado que iriam. Participam do evento os chanceleres do Canadá, Chrystia Freeland; do Chile, Heraldo Muñoz; da Colômbia, María Ángela Holguín; da Guatemala, Sandra Jovel; e do Peru, Cayetana Aljovín.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, anunciou no dia 6 de fevereiro que Maduro "comparecerá pontualmente (à Cúpula das Américas) para defender a soberania da América Latina e Caribenha, e para se reunir com o combativo povo do Peru".

A 8.ª Cúpula das Américas tem como tema central a corrupção, mas a tensão crescente com relação à situação na Venezuela e a rejeição que a figura de Maduro provoca em grande parte dos países da região fez da visita do presidente a Lima um dos aspectos mais destacados do encontro.

No Peru, políticos de todos os setores apoiaram no Parlamento um pedido para que se rejeitasse a entrada do líder chavista no país e o declarasse "persona non grata".

Eleições

Ao chegar à reunião, Heraldo Muñoz afirmou que o objetivo do encontro é "passar uma mensagem muito clara do que pensa a maioria da comunidade latino-americana que está reunida neste Grupo de Lima" sobre as próximas eleições, nas quais Maduro tentará a reeleição.

"As eleições que Maduro convocou unilateralmente não cumprem com nenhuma das condições nem garantias de uma eleição democrática, livre e transparente", disse Muñoz.

Ele também desejou que o trabalho do Grupo de Lima possa contribuir para que o povo venezuelano deixe de "pagar os custos desta situação" para que não tenha de emigrar a outros países.

"Quase 100 mil venezuelanos chegaram ao Chile, e o que falar dos países vizinhos como a Colômbia e o Brasil, onde chegam centenas? É uma situação muito grave, como disse ontem (segunda-feira) a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em um relatório", argumentou.

O Grupo de Lima expressou em um comunicado em janeiro a sua rejeição à convocação antecipada de eleições na Venezuela ao considerar que não há garantias de um processo justo, livre, transparente e democrático.

A declaração de rejeição deste pleito também ganhou o posterior apoio deos EUA, da Guiana e de Santa Lúcia. As eleições presidenciais foram decretadas no dia 15 de janeiro pela Assembleia Constituinte, órgão formado apenas por chavistas e não reconhecido pela oposição e vários governos.

O Grupo de Lima foi criado com Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, perante a impossibilidade de aprovar resoluções sobre a Venezuela na Organização de Estados Americanos (OEA) pelo bloqueio dos países caribenhos. / EFE

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