Cris Bouroncle / AFP
Cris Bouroncle / AFP

Peru exige passaporte e fecha fronteira, mas acolhe venezuelanos com pedido de asilo

Nova política migratória entrou em vigor a zero hora deste sábado; governo diz que busca reduzir entrada de venezuelanos com documentos ilegais

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2018 | 03h41
Atualizado 25 Agosto 2018 | 19h44

TUMBES, Peru - O governo do Peru passou a exigir desde a zero hora deste sábado, 25, a apresentação de passaporte aos venezuelanos que desejam entrar no país. No entanto, continuou permitindo a entrada daqueles na qualidade de refugiados, na pior crise humanitária da América Latina em tempos de paz.

Nesta madrugada, os centros migratórios nas fronteiras foram fechados e senhas foram distribuídas aos imigrantes que chegaram após a vigência da nova política.

Mais cedo, um grupo de venezuelanos, incluindo crianças, conseguiu atravessar a fronteira graças a um corredor humanitário aberto pelo governo do Equador para agilizar a passagem dos imigrantes ao Peru. "Conseguimos chegar graças ao Equador, que nos trouxe escoltados em cinco ônibus", disse Virginia Velásquez, venezuelana de 36 anos, que chegou à fronteira peruana minutos antes da meia-noite. 

Após o início da vigência da política migratória, o Centro Binacional de Atenção Fronteiriça de Tumbes, que funcionava initerruptamente na fronteira com o Equador, foi fechado.

Horas depois, os funcionários peruanos reabriram a fronteira e permitiram o ingresso de centenas de venezuelanos sem passaporte, mas exigiram a apresentação de uma solicitação de asilo. Esse pedido permite que permaneçam legalmente no país até a solução definitiva de sua situação. Antes, qualquer venezuelano poderia atravessar a fronteira desde que apresentasse um documento de identidade válido. 

Segundo o governo peruano, a medida visa impedir a entrada de venezuelanos com documentos falsos. Na prática, a restrição impede a entrada de imigrantes que não tiveram condições financeiras para obter o passaporte durante a crise financeira venezuelana.

"Não vamos sair daqui porque não temos mais ninguém para nos receber", disse Lourdes Ruiz, de 36 anos, que está viajando há um mês com destino a Lima. 

O Equador anunciou medida semelhante, mas a política foi suspensa liminarmente pela Justiça equatoriana. Em resposta, Quito anunciou que passaria a exigir dos venezuelanos um "certificado de validade do documento de identidade emitido por um órgão internacional reconhecido pelo governo do Equador". /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.