Peru: Garcia derrotaria Humala caso 2º turno fosse hoje

O ex-presidente Alan Garcia derrotaria o candidato nacionalista Ollanta Humala no segundo turno das eleições peruanas no dia 28 de maio, segundo apontou uma pesquisa publicada no jornal Correo desta terça-feira. Garcia, lembrado por sua desastrosa administração entre 1985 e 1990, marcada pela hiperinflação, escassez de alimentos e violência, ganharia com 54% dos votos válidos contra 46% de Humala, segundo pesquisa da empresa Datum Internacional. A pesquisa entrevistou 1.126 pessoas de todo o país entre os dias 19 e 21 de abril e possui uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Com mais de 99% dos votos apurados, Garcia aparece com 24.3% contra 23.7% da congressista Lourdes Flores. Apenas 78.775 votos separam os dois candidatos. Os peruanos aguardam o final do suspense há duas semanas por causa de atrasos na contagem das urnas. Centenas de cédulas foram contestadas pelos partidos políticos ou tiveram problemas técnicos, como erros de aritmética ou caligrafia ilegível. Partidários de Flores alegam que os supostos erros processuais tiraram muitos votos de Flores. O candidato a vice-presidente de Flores, Arturo Woodman, reconheceu nesta terça-feira que a derrota da congressista é iminente. "É praticamente impossível alcançar (Garcia)", disse Woodman a repórteres da rádio peruana Radioprogramas. Flores, de 46 anos, tinha esperanças de alcançar seu adversário com os votos de peruanos que vivem no exterior. Contudo, ela não conseguiu superar Garcia após a apuração desses votos. A pesquisa mostra ainda que de 14% a 17% dos eleitores estão insatisfeitos com os candidatos, e votariam em branco e entre 3% e 4% continuam indecisos. Os resultados mostram que caso Flores superasse Garcia, ela derrotaria Humala com 56% dos votos contra 44% de seu adversário. Contudo, muitos analistas acreditam que Garcia, um orador experiente, tem mais chances do que Flores para derrotar Humala, por causa de sua orientação esquerdista. Flores não conseguiria livrar-se da imagem disseminada por seus concorrentes de que seria a candidata da elite branca peruana. Garcia prometeu manter as políticas de mercado livre que geraram um média de crescimento de 5,5% nos quatro últimos anos, mas não conseguiram gerar empregos suficientes para os peruanos de baixa renda. Ele não perdeu seu toque populista, prometendo reduzir taxas de telefone e eletricidade, abrir um banco agrário estatal para conceder empréstimos a fazendeiros e endurecer a legislação de proteção trabalhista.

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