Peru pedirá que Japão extradite Fujimori

O Peru pretende pedir ao governo do Japão a extradição do ex-presidente Alberto Fujimori, que fugiu para o Japão no ano passado e vive atualmente em Tóquio. Luis Macchiavello declarou que o governo peruano prepara acusações por delitos maiores contra Fujimori, que está sendo investigado no Peru por corrupção administrativa e por supostos vínculos com um esquadrão da morte, além de enfrentar a acusação de abandono de suas funções no cargo público que ocupava. "Uma vez pedida a extradição, solicitaremos a cooperação do Japão", afirmou o diplomata. "Se o Japão negar, então poderíamos pedir, embora não tenhamos certeza sobre isso, a arbitragem de um terceiro país". Ele acrescentou que o governo de Lima pressionará o Japão alegando que, por Fujimori ter sido presidente do país por 10 anos, sua cidadania peruana prevalece. "É inconcebível não aceitar que Fujimori seja peruano antes de ser japonês", disse o embaixador, lembrando que "segundo o direito internacional, quando uma pessoa tem duas ou três nacionalidades, uma delas é predominante sobre as outras". As declarações foram feitas por Macchiavello à rede de televisão da Associated Press. Fujimori, de 62 anos, nega as acusações. Em Lima, o governo informou hoje ter protestado contra a decisão de Tóquio de conceder nacionalidade japonesa ao ex-embaixador do Peru na capital japonesa, Víctor Aritomi, cunhado de Fujimori, e a sua esposa, Rosa Fujimori. Em um comunicado, a Chancelaria peruana informou que a nota de protesto foi encaminhada na quarta-feira pelo chanceler Javier Pérez de Cuéllar ao embaixador japonês Takashi Kiya.

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