Peru protesta contra ´intromissão´ de Chávez nas eleições presidenciais

O governo do Peru enviou uma nota de protesto à Venezuela queixando-se da "flagrante intromissão" do presidente Hugo Chávez nas eleições presidenciais do país e lembrando "o princípio de não-intervenção". A chancelaria peruana informou que o governo também comunicou o fato à Missão de Observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) que supervisiona a eleição.Na carta, o governo peruano considerou o apoio de Chávez ao candidato nacionalista Ollanta Humala e as críticas a seu rival, o ex-presidente Alan García, "uma violação dos princípios da Carta Democrática Interamericana" e "uma inaceitável intromissão num assunto de exclusiva competência interna do Peru".A nota, entregue pelo chanceler do Peru, Oscar Maúrtua, ao embaixador venezuelano em Lima, Cruz Martínez, expressou surpresa pelo fato de a Venezuela não ter respeitado o compromisso de não interferir nos assuntos internos peruanos."O governo do Peru lembra mais uma vez que a não-intervenção em assuntos internos constitui um princípio fundamental do direito internacional, indispensável para preservar a relação harmônica entre os Estados", ressaltou o documento oficial."Canalha, gatuno, ladrão"A mensagem lembrou que "o princípio de não-intervenção" é estabelecido no artigo 2, inciso 7 da Carta da Organização das Nações Unidas e no artigo 3 da Carta da OEA.Declarações anteriores de Chávez já haviam provocado duas crises entre Peru e Venezuela. A atual começou porque o presidente venezuelano anunciou que vai retirar seu embaixador de Lima se o eleito for Alan García, a quem chamou "canalha, gatuno e ladrão". García respondeu chamando Chávez de "primitivo". Em seguida, desafiou o presidente venezuelano a um debate em cadeia internacional de televisão.Em Lima, dezenas de seguidores do Partido Aprista Peruano (PAP), comandado por García, e membros da Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP) protestaram em frente à casa do embaixador da Venezuela. Eles queimaram a um boneco vestido como militar e com uma boina parecida com a de Hugo Chávez, que foi chamado de "traidor".

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