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REUTERS/Mariana Bazo/ Files
REUTERS/Mariana Bazo/ Files

Peru protesta contra nomeação de ex-primeira-dama investigada para a FAO

Nadine Heredia Alarcón foi indicada pelo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, para dirigir o escritório perante a ONU, em Genebra 

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2016 | 12h58

GENEBRA - O Peru protestou junto à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) contra a nomeação como funcionária em Genebra da ex-primeira-dama Nadine Heredia Alarcón, investigada em um caso de lavagem de dinheiro, e pediu que a organização reconsidere a designação.

Nadine, mulher do ex-presidente Ollanta Humala - que deixou o poder no dia 28 de julho - foi designada nova diretora do escritório da FAO perante a ONU, em Genebra, pelo diretor-geral da organização, o brasileiro José Graziano da Silva, abrindo uma crise com o governo de Lima.

De acordo com documentos obtidos pelo Estado, Graziano publicou a nomeação de Nadine no dia 21 e ela assumiria suas funções a partir desta quinta-feira, 24. Porta-vozes da FAO explicaram, no entanto, que a ex-primeira dama não assumirá mais o cargo nesta semana por estar passando por um "treinamento". Questionados sobre onde era o treinamento e sobre que se tratava, a entidade se recusou a responder. 

O boletim emitido pelo gabinete de Graziano e assinado por ele, aponta que a ex-primeira dama tem doutorado na Sorbonne, na França, e por dez anos atuou como consultora em questões de assistência internacional. O chefe da organização destaca também como a ex-primeira dama peruana usou o fato de estar ao lado de seu marido como presidente para fazer campanhas por questões sociais. Em 2012, ela chegou a ser convidada a ocupar funções em programas da ONU e mesmo como embaixadora especial da FAO.

A decisão, porém, não agradou o governo de Lima. "Essa decisão pode ser interpretada como uma interferência em uma investigação judiciária no Peru", declarou o Ministério de Relações Exteriores do Peru, em comunicado. O governo peruano pede que a nomeação seja cancelada.

Em declarações à imprensa peruana, o vice-chanceler do país, Néstor Francisco Popolizio, criticou a decisão da instituição. "Espero que a entidade se de conta do erro cometido", disse. "Isso vai ter uma repercussão para a imagem da FAO", completou.

Tanto a ex-primeira dama como Humala são investigados por lavagem de dinheiro em um esquema que poderia ter movimentado US$ 1,5 milhão. O dinheiro, segundo os investigadores, teria vindo do Brasil e da Venezuela, alimentando as campanhas eleitorais de Humala em 2006 e 2011. 

Até o final de outubro, a peruana estava impedida de sair do país. Mas, desde o início de novembro, a proibição foi suspensa. Ela, porém, teria de informar qualquer viagem ao exterior e ainda assim assinar, a cada dia, um registro em Lima.

Nadine embarcou para a Suíça na noite de terça-feira. Graziano, antes de assumir a entidade, com sede em Roma, foi ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e responsável pelo programa Fome Zero.

Justificativa. Em resposta à polêmica, a FAO emitiu nota afirmando que as “restrições ditadas pelo tribunal sobre a permissão para (Nadine) sair do Peru durante quatro meses prescreveram no dia 17 de outubro e não foram prorrogadas”. “Portanto, segundo a informação das quais dispõe a FAO, o caso aberto no Peru não supõe nenhum impedimento para o desenvolvimento de suas funções com a organização." 

A FAO ainda apontou que a nomeação de Nadine foi “transparente e sujeita a procedimentos ordinários com base em um rigoroso processo de seleção que incluiu a revisão por parte de um comitê, que avaliou suas competências profissionais”. 

A entidade destacou o fato de que a ex-primeira dama foi embaixadora especial da FAO em 2013. “Durante este período, ela pronunciou diferentes discursos e trabalhou promovendo e defendendo em todo o mundo um dos alimentos tradicionais da região", disse a organização. Ela também promoveu “os avanços econômicos e de resiliência das comunidades indígenas dos Andes”.

Além disso, a FAO também afirma que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “reconheceu a experiencia e capacidade de compromisso (de Nadine)”.

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