Peru reativa bases na divisa com a Colômbia

As Forças Armadas do Peru reativaram nesta sexta-feira cinco bases na região próxima da divisa com a Colômbia para bloquear um eventual êxodo dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).Os comandos, cerca de 800 soldados especializados em operações de selva, estão distribuídos em uma instalação aeroterrestre de Ayacucho, em outros dois postos na região da Selva Central, e em outras duas instalações ao longo do Vale do Huallaga. Todos os núcleos foram criados em meados dos anos 80, durante a luta contra a guerrilha dos movimentos Tupac Amaru e Sendero Luminoso. O Peru e a Colômbia dividem uma linha de fronteira de 1.600 quilômetros.O Ministério da Defesa está deslocando para essa área o recém-criado Esquadrão Aerotransportado de Mobilização Rápida, um batalhão treinado de acordo com padrões das unidades especializadas Ranger e Boinas-Verdes do Exército americano, "por meio da instrução resultante de acordos binacionais de apoio militar" segundo o general da reserva Edgardo Jarrín.Não é a única iniciativa peruana no campo diplomático-militar. Fontes ligadas ao Departamento de Defesa dos EUA admitem que na visita que o presidente George W. Bush fará ao Peru no dia 23, o presidente Alejandro Toledo e o ministro da Defesa, David Waisman Rjauinsthi, vão propor a cessão, em regime de aluguel, das instalações militares de Tacna, no extremo sul do país. Os EUA mantêm um contrato semelhante no Equador.Tacna é uma sofisticada base construída com apoio de técnicos soviéticos ao longo de 18 anos entre as décadas de 60 e 80. Duas grandes pistas de pouso, abrigos couraçados subterrâneos, infra-estrutura para centrais eletrônicas, alojamentos para tropas de cavalaria blindada e infantaria, formam o conjunto de onde saíam em direção ao espaço de aéreo das nações vizinhas incluindo o Brasil aviões de reconhecimento. Isso aconteceu no período em que o governo peruano esteve próximo da União Soviética, durante a guerra fria.Sem dinheiro para manter a vigilância sobre as fronteiras, a administração Toledo, além da eventual negociação com o Pentágono, está vendendo parte da frota de combate. São 28 aviões de variados tipos; 15 cargueiros russos Antonov-32; 6 Cessnas A-37B de ataque ao solo; caças supersônicos russos Sukhoi-22; 4 caças franceses Mirage 5/P4; 3 monomotores básicos T-41D e 1 transporte pesado Douglas DC-8.

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