Peru tem 540 mortos e 176 mil sem teto

Novo balanço mostra extensão da tragédia; prioridade agora é remover escombros e construir casas para desabrigados

Roberto Lameirinhas, enviado especial, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2021 | 00h00

Subiu ontem para 540 o número de mortos no terremoto de quarta-feira no Peru, informou ontem a Defesa Civil, com base em uma estimativa parcial, acrescentando que 503 corpos foram identificados. O governo peruano, após declarar que não tem esperança de encontrar sobreviventes, iniciou a tarefa de retirar os escombros das localidades devastadas pelo terremoto de 8 graus na escala Richter.O presidente peruano, Alan García, disse ontem que a limpeza das ruas e a reconstrução são as prioridades de seu governo. Ele retornou ontem a Lima após passar três noites na área do desastre. Uma agência autônoma do governo supervisionará a reconstrução das cidades destruídas. García disse que o plano é construir pequenas casas com dois quartos para os desabrigados, com um material mais forte - como blocos de concreto e vigas de ferro - para que possam suportar terremotos. A maioria das casas destruídas era feita de adobe (barro prensado com palha). Mais de 85% das casas de Pisco, 200 quilômetros a sudeste de Lima, desmoronaram. A Defesa Civil informou que 176 mil pessoas estão desabrigadas em nove povoados e estima que mais de 35 mil casas foram destruídas.Em Pisco, o estádio de futebol foi transformado em um campo de refugiados, onde centenas de famílias estão dormindo desde quinta-feira. Elas preferem permanecer longe das construções, pois temem que os inúmeros tremores secundários causem novos desabamentos. Segundo o presidente, os 1.200 soldados conseguiram restaurar a calma nas cidades afetadas - principalmente em Pisco, Ica , Chincha e Cañete -, onde desabrigados famintos saquearam caminhões com ajuda humanitária e mercados. Não foi registrado nenhum saque desde sábado.Apesar dos esforços de García para resolver a questão logística da distribuição de ajuda, as vítimas do terremoto aguardam horas nas filas para receber cobertores, água e comida. Cerca de 280 aviões chegaram ao Peru com 600 toneladas de ajuda, disse o presidente.São 22 vôos por dia que saem do Grupo Aéreo Número 8, a base aérea de Lima, para Pisco. Os aviões, quase todos Hércules C-130, levam alimentos, medicamentos e equipamentos para remoção de escombros e voltam trazendo feridos para os hospitais de Lima. Nas cidades mais afetadas pelo terremoto de quarta-feira, os hospitais - sem pessoal, insumos médicos e energia elétrica - também entraram em colapso.Os militares responsáveis pela coordenação da ponte aérea de emergência têm trabalhado em média 16 horas por dia desde sexta-feira. Mas o comandante Arce, responsável pela coordenação da ponte área, assegurou ao Estado que os encarregados da segurança dos aviões trabalham apenas o turno de 6 horas. "Tomamos todos os cuidados para evitar uma nova tragédia", disse o militar.A ponte aérea já transportou 457 toneladas de tendas de campanha, cobertores, alimentos e medicamentos até ontem à tarde. Com a comunidade internacional mobilizada e comovida com a tragédia peruana, uma boa parte dos víveres vem do exterior, mas a parte mais significativa da ajuda humanitária tem sido providenciada pelos próprios peruanos. Postos de arrecadação foram rapidamente instalados por todo o país.Cinco dias após o terremoto, os povoados da serra andina próximos à costa central começaram a receber ontem ajuda por helicóptero, pois o acesso por terra estava bloqueado. O prefeito da remota localidade de Moyapampa chegou ontem a Pisco após caminhar por três dias uma distância de 180 quilômetros para pedir ajuda. O presidente peruano, Evo Morales, disse ontem que doará metade de seu salário, cerca de US$ 950, para ajudar as vítimas do terremoto. O vice-presidente, Álvaro García, também doará metade de seu salário e outros funcionários do governo 25% como parte de uma campanha nacional para coletar dinheiro e suprimentos para o país vizinho. "Não podemos abandonar nossos irmãos peruanos", disse Evo. Na semana passada, seu governo enviou um avião com doações e voluntários ao Peru. O Vaticano anunciou ontem a doação de US$ 200 mil para ajuda de emergência.

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