Peru: Toledo acirra ânimos racistas e ganha votos

O cholo bus chega levantando poeira no meio da tarde quente e ensolarada. É grande a expectativa no povoado de Mazo, município de Huacho, 200 quilômetros ao norte de Lima. Dezenas de moradores se aglomeram na frente da casa da candidata a deputada Angelica Urtecho. Finalmente a porta se abre e o diminuto Alejandro Toledo desce, cercado de jornalistas e seguranças. O ônibus leva o nome dado à raça indígena no Peru - cholo -, base eleitoral do candidato favorito no primeiro turno da eleição presidencial, no próximo domingo.A vendedora de gás Rosalinda Monroe era fujimorista. "Ele enganou os humildes", diz ela, referindo-se ao ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru na última década. "Escondeu a nacionalidade japonesa, como um delinqüente fugiu do país e tem de vir prestar contas." Rosalinda acha que com Toledo será diferente: "Toledo é gente nossa, é índio cholo e graças a ele se derrubou a ditadura." É com essas duas credenciais, de arquétipo do povo pobre peruano e de herói que enfrentou e venceu Fujimori, que Toledo lidera todas as pesquisas de intenção de votos, com 30% a 40%, dependendo do instituto. Nos comícios do final da tarde, Toledo exibe esses atributos com discurso carregado de simbolismo e recursos cênicos."Sou índio, obstinado e rebelde com causa e não me mudarão", garante ele a 3 mil pessoas em Huacho e, mais tarde, a 6 mil em Huaral. As palavras são reforçadas por uma gestualidade ostensiva. Durante os comícios, Toledo consagra talismãs indígenas e reverencia as montanhas, deuses para os incas.Leia MaisLeia Também:Contraste abissal separa os dois candidatos Alan García volta com discurso remodelado

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