Peruanos vão às urnas para enterrar era Fujimori

Pouco menos de 15 milhões de eleitores estão habilitados (e obrigados) a comparecer às urnas, hoje, para esboçar o novo mapa político do Peru na era pós-Fujimori. Além do novo presidente, com mandato até 2006, os peruanos escolherão 120 deputados para o Congresso unicameral. As eleições foram antecipadas pelo ex-presidente Alberto Fujimori, reeleito há um ano para o terceiro mandato consecutivo, mas atingido em cheio por escândalos de corrupção que acabaram com sua destituição e cassação pelo Congresso, em novembro.A disputa pela presidência se restringe a três dos oito candidatos, e as pesquisas apontam para um segundo turno. O grande favorito, líder das intenções de voto desde o início da campanha, é Alejandro Toledo, da coligação centrista Peru Possível, que foi derrotado por Fujimori em 2000, mas garante ter sido roubado. Ele aparece com 30% a 35% nas pesquisas finais.A menos que Toledo "atropele" na reta de chegada, deverá disputar o tira-teima, no fim de maio, com o ex-presidente Alan García, do tradicional Partido Aprista (centro-esquerda), ou a ex-deputada Lourdes Flores, da coligação direitista Unidade Nacional. Os dois apareciam em empate técnico nas pesquisas finais, na casa de 20% a 25%, mas García subiu constantemente nos últimos dias, enquanto Lourdes perdeu pontos.Os analistas e os próprios institutos de pesquisa, porém, chamam atenção para o elevado número de indecisos, na casa dos 20% do eleitorado. Como o voto é obrigatório dos 18 aos 70 anos, sob pena de multa equivalente a US$ 35, as opções de última hora definirão a disputa pelo segundo lugar. Até mesmo uma vitória de Toledo em primeiro turno é tecnicamente possível, embora considerada pouco provável.Ressaca cívica - O elevado índice de indefinição do eleitorado é o desfecho de uma campanha feita sob a ressaca do tumultuado fim de reinado de Fujimori. Desde sua contestada segunda reeleição, em maio, e especialmente desde sua desistência do novo mandato, em setembro, o país assistiu à decomposição do regime numa série de escândalos políticos.No centro da crise, uma série de vídeos em que Vladimiro Montesinos, assessor de Segurança e braço-forte de Fujimori por dez anos, aparece subornando e chantageando políticos, conspirando com militares - tudo em nome do presidente.Foi também no terreno dos ataques pessoais que terminou a campanha para a presidência. Lourdes Flores, que chegou a despontar como ameaça a Toledo, foi aparentemente a grande perdedora. García, que deixou o poder em 90 (sucedido por Fujimori) com a economia desarticulada e debaixo de acusações de corrupção generalizada, soube preservar-se e conseguiu entrar na disputa. Os primeiros resultados oficiais devem ser anunciados por volta das 21h (23h em Brasília), mas desde o final da tarde as tevês peruanas prometem divulgar projeções com base em pesquisas de boca-de-urna.

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