Yves Herman/Reuters
Yves Herman/Reuters

Pesquisa aponta prevalência da centro-direita e ascensão da extrema direita em eleição da UE

Aliança alemã liderada por Angela Merkel deve continuar na liderança do Parlamento Europeu, com a Liga italiana, de Matteo Salvini, em segunda posição com número de cadeiras

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2019 | 10h32

BRUXELAS - A centro-direita deve continuar sendo o maior grupo do Parlamento da União Europeia depois das eleições de maio, que também devem testemunhar um aumento de assentos para a extrema direita, mostrou uma pesquisa conduzida pelo próprio Parlamento e divulgada nesta segunda-feira, 18.

A aliança da Alemanha entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU), liderada pela chanceler Angela Merkel, deve permanecer como o maior partido, isolado com 29 cadeiras, mas apenas à frente da Liga italiana, grupo de extrema direita que hoje participa do governo na Itália.

As 27 cadeiras da união alemã evidenciam como as eleições refletirão o fortalecimento do sentimento nacionalista diante de movimentos pró-UE estabelecidos em toda a Europa. Esta será a votação mais importante do bloco desde a primeira, realizada em 1979, disse o principal porta-voz do Parlamento, Jaume Duch, em uma entrevista coletiva a respeito das eleições.

Enquanto partidos tradicionais devem manter o predomínio que permitiria a manutenção da ampla coalizão de maioria de centro, que vem tendendo a apoiar propostas do Executivo da UE, um avanço de 40% para os radicais de direita equivalente a 14% dos assentos pode criar ainda mais incerteza política.

O Partido Popular Europeu (EPP), ao qual Merkel pertence, deve conseguir 183 das 705 cadeiras (26%) na nova câmara – menos do que os 29%, segundo a compilação de dados de pesquisas nacionais dos 27 Estados-membros, segundo a pesquisa desta segunda. Tal cifra superaria os 135 assentos dos socialistas e democratas de centro-esquerda, cuja parcela diminuiria em 6% e ficaria em 19%, em parte devido à perda de cadeiras britânicas após a separação da UE, quando o Parlamento se reduzirá do total de 751 cadeiras.

O governista Partido Conservador do Reino Unido não tem parceria com o EPP. Sua saída afetará os conservadores e reformistas europeus, rebaixando o grupo da terceira para a quinta posição. Autoridades parlamentares também acreditem que a votação causará uma grande reviravolta das alianças na casa, tornando difícil prever alinhamentos na nova câmara.

Os dois grupos eurocéticos de extrema direita entre os oito do Parlamento atual devem ver sua participação subir de 10 para 14%, apesar da perda dos defensores do Brexit do Partido de Independência do Reino Unido. Isso reflete as conquistas da Liga italiana com suas 21 cadeiras, da AfD alemã com suas 11 e das seis cadeiras que a Reunião Nacional da francesa Marine Le Pen ganhará se as pesquisas se provarem certas. / REUTERS

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