Pesquisa aponta vitória da oposição com folga no Japão

Partido Democrático deve receber dois terços dos votos e acabar com a hegemonia liberal de 50 anos

Agência Estado e Associated Press,

27 de agosto de 2009 | 10h45

O principal partido da oposição no Japão, o Partido Democrático (PDJ), deve conseguir dois terços dos votos nas eleições legislativas para a Casa dos Representantes e provocar uma derrota para a coalizão do primeiro-ministro Taro Aso, indica uma pesquisa publicada nesta quinta-feira, 27, pelo diário Asahi.

 

De acordo com o jornal, o PDJ deve conseguir 320 das 480 cadeiras na Câmara Baixa, responsável por indicar o primeiro-ministro. O partido, liderado por Yukio Hatoyama, tinha 112 postos na Casa dos Representantes antes de o parlamento ser dissolvido, em julho.

 

O Partido Liberal Democrático (PLD), de Aso, tinha 300 deputados antes das eleições e se prepara para uma forte derrota. A pesquisa do diário indica que o PLD deve ficar com apenas 100 cadeiras.

 

O Asahi não forneceu uma margem de erro, mas pelo tamanho da amostra - 190.338 eleitores -, ela deve ser menor que 1 ponto porcentual. Outras pesquisas recentes também projetaram que a oposição deve ficar com mais de 300 representantes.

 

Uma vitória oposicionista permitiria à oposição subir ao poder após mais de meio século de hegemonia dos liberais. O PLD governa o país desde 1955, exceto por um período de menos de um ano entre 1993 e 1994. Com isso, Hatoyama deve ser o primeiro-ministro.

 

O partido de Aso perdeu apoio por causa da economia frágil, do crescente desemprego, da suposta falta de liderança e do apoio ao aumento de impostos. O presidente do partido, Aso é visto por muitos como um líder fraco, com aprovação de menos de 20% em pesquisas.

 

O partido oposicionista de Hatoyama foi fundado e é dominado por ex-integrantes do PLD, portanto os dois lados compartilham em grande parte posturas conservadoras sobre temas importantes. Mas, caso o PDJ mantenha suas promessas, algumas das políticas mais consolidadas no país podem ser revistas.

 

Entre elas está a relação com os EUA. A sigla acusa os liberais de serem subservientes a Washington, especialmente na esfera militar, e promete uma postura mais dura nas negociações com os americanos. Hatoyama defendeu, em artigo publicado nesta quinta-feira pelo The New York Times, que a aliança bilateral seguiria sendo "crucial para a política diplomática japonesa mas que, ao mesmo tempo, o Japão não deve esquecer sua identidade como nação localizada na Ásia."

 

A sigla oposicionista também prometeu não aumentar o imposto sobre consumo por quatro anos. Hatoyama se comprometeu com medidas para melhorar a educação, o apoio a crianças e diminuir a desigualdade econômica.

 

Em 2007, o PDJ já ganhou o controle da Câmara Alta, menos poderosa. O partido, porém, nunca controlou a Câmara Baixa nem o gabinete.

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