Pesquisa dá vitória a ex-ministra no Paraguai

Partido Colorado, no poder há 60 anos, deve indicar pela primeira vez uma mulher para concorrer à presidência

AP e Efe, Assunção, O Estadao de S.Paulo

17 de dezembro de 2007 | 00h00

Pela primeira vez, uma mulher deve ser candidata à presidência do Paraguai. Ontem, o Partido Colorado, há seis décadas no poder, realizou a escolha de seu candidato. De acordo com pesquisas de boca-de-urna, a psicóloga e ex-jogadora de basquete Blanca Ovelar sairia da convenção vencedora, com cerca de 47% dos votos.Cerca de 1,6 milhão de afiliados do partido foram convocados a escolher seu candidato presidencial para as eleições, marcadas para 20 de abril de 2008. Os primeiros resultados oficiais estavam programados para serem apresentados a partir da meia-noite local (1 hora de Brasília). Entretanto, a enquete de uma rádio local deu ontem a vitória a Blanca.Ex-ministra da Educação, Blanca, de 50 anos, defende a corrente Progressista, a mesma do atual presidente, Nicanor Duarte, que pretende disputar uma vaga como senador. Nas últimas pesquisas de intenção de voto, ela aparecia praticamente empatada com o engenheiro civil Luis Castiglioni, de 47 anos. Ex-vice-presidente de Duarte e líder da corrente dissidente Vanguardia, ele fez forte oposição ao governo durante sua campanha. Na pesquisa de boca-de-urna ele aparece com 42% dos votos. Mas enquanto os aliados de Blanca já comemoravam, Castiglioni dizia ter vantagem de 11%, baseado na contagem que sua bancada fez.NOVIDADEAlém da escolha do candidato presidencial, o partido também designaria ontem seus nomes para as disputas de senador, deputado, representantes no parlamento do Mercosul e governadores para 17 estados e conselhos regionais. Em todo o país, foram 10 mil mesas de votação.Uma novidade este ano será a candidatura ao senado de Alfredo Domínguez Stroessner, neto do ex-ditador Alfredo Stroessner (1954-1989), por um grupo da oposição.A Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou representantes ao Paraguai para garantir a lisura do processo eleitoral. Segundo o chileno Pablo Gutiérrez, chefe da missão de doze observadores, não houve problemas na convenção. DENÚNCIAJá a filial paraguaia da organização Transparência Internacional, também presente nas primárias, denunciou que houve irregularidade no transporte dos eleitores aos locais de votação. Pilar Callizo, representante do grupo, afirmou que vários veículos traziam propagandas de diferentes movimentos. Com isso, "não se cumpriu a lei eleitoral, que proíbe a publicidade de candidatos a 200 metros em volta dos locais de votação", disse Pilar. Gutiérrez prometeu que todas as denúncias seriam apuradas após o fim da eleição, mas voltou a afirmar que o balanço final "foi positivo para o país".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.