Pesquisa indica empate com Romney, mas traz boas notícias para Obama

Mesmo em empate técnico com o republicano Mitt Romney, o presidente dos EUA, Barack Obama, deverá ser reeleito em novembro, segundo 58% dos entrevistados por recente pesquisa realizada pela Associated Press e o Instituto GfK.

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h04

A escolha do deputado federal Paul Ryan, um defensor de cortes profundos dos gastos públicos, como companheiro de chapa de Romney não alterou substancialmente o quadro eleitoral desde esse anúncio, dia 11. Ryan é desconhecido por 26% dos consultados.

A pesquisa da AP/GfK é a primeira em âmbito nacional realizada desde o anúncio de Ryan como vice de Romney. A margem de erro é de 4 pontos porcentuais. Dos 1.006 adultos entrevistados entre os dias 16 e 20, 47% pretendem votar em Obama. Romney tem as intenções de voto de 46%. Apesar do empate técnico, os detalhes da pesquisa apontam mais vantagens para o candidato à reeleição.

O presidente tem imagem favorável para 53% dos consultados, diante de 44% para Romney. O republicano perde no quesito impressão desfavorável, com 46%, 2 pontos porcentuais a mais do que Obama. Ryan, por sua vez, é visto de forma favorável por apenas 38%. Além de relativamente desconhecido, 34% dizem não ter dele uma impressão boa. Nos bastidores, a primeira-dama e cabo eleitoral de Obama, Michelle, supera seu marido em termos de imagem positiva, com 64%. Ann Romney é desconhecida por 31% e causa boa impressão em 40%.

A pesquisa identificou amplo interesse do eleitor americano na corrida presidencial. Dos entrevistados, 67% dizem acompanhar o noticiário sobre o tema, embora com menor atenção do que a demonstrada em 2008. Outros 21% têm apenas "algum interesse no assunto". Os temas com ampla relevância para o eleitor são a economia do país (91%), a situação orçamentária (69%), os impostos (75%), o preço da gasolina (69%), o bem-estar social (75%) e o sistema gratuito de saúde para os aposentados (72%).

Em sua maioria, os eleitores desaprovam a atuação de ambas as bancadas partidárias no Congresso. Os republicanos estão pior, com 66% de desaprovação, diante de 55% dos democratas. Como as eleições de novembro abrangem também o Congresso, esses dados indicam haver potencial de renovação.

No caso de Obama, a aprovação de seu trabalho na Casa Branca está muito longe de ser mencionada como excelente ou boa por 67%, como ocorreu no seu primeiro mês de mandato. Também não chega aos 44%, a pontuação mais baixa, registrada há um ano. A pesquisa mostrou ambas, a aprovação e desaprovação do presidente, em 49%.

Questionados sobre quem deve fazer um melhor trabalho na área econômica, os eleitores mantiveram Obama e Romney em empate técnico - 45% e 46%, respectivamente. O candidato republicano tem vantagem de 7 pontos porcentuais sobre o presidente quando o assunto é a capacidade de lidar com o déficit nas contas públicas. Mas está empatado com Obama no quesito capacidade de criar empregos - a questão central desta eleição, dada a taxa de desemprego ainda elevada, em 8,3%.

Obama, entretanto, é visto como o candidato capaz de governar melhor por 49% dos consultados, contra 41% de Romney. Outra vantagem do presidente está na sua confortável dianteira para lidar com questões sociais, como o aborto e o casamento entre homossexuais. Trata-se de um tópico com potencial explosivo para os republicanos depois das polêmicas declarações do deputado Todd Akin, de Missouri, sobre o "estupro legítimo" e o direito ao aborto.

Dos consultados, 52% apontaram Obama como candidato capaz de governar bem, diante de apenas 33% para Romney. Obama é visto ainda por 53% como o candidato que melhor entende os problemas dos entrevistados, como um líder forte (52%), honesto e confiável (45%) e mais sincero sobre o que diz (52%).

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