Pesquisa indica profunda desconfiança entre árabes e judeus

Mais de 25% da população árabe de Israel acredita que o Holocausto nunca existiu, e cerca de 70% dos israelenses judeus temem uma rebelião da parte árabe, segundo uma pesquisa que mostra o abismo de diferenças entre as duas comunidades. O estudo, elaborado pelo decano da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Haifa, Sami Smoocha, e divulgado parcialmente neste domingo, 18, destaca a desconfiança, o temor e as suspeitas existentes entre a maioria judaica e a minoria árabe de Israel, que representa 20% da população. Entre os dados mais impactantes, 28% dos árabes entrevistados acreditam que o Holocausto nunca aconteceu. Em comunicado, Smoocha menciona que "elementos radicais no mundo árabe acreditam que o Holocausto é um acontecimento político e, diante de sua negação, protestam e rejeitam o Estado de Israel". Quase 50% dos árabe-israelenses encontra justificativa para o seqüestro de soldados israelenses, como os cometidos no ano passado pela milícia xiita libanesa do Hezbollah. Apenas 18,7% dos árabes consideraram justificado que Israel empreendesse uma guerra após o seqüestro dos soldados, enquanto 48% consideraram justo o bombardeio de cidades israelenses realizados pelo Hezbollah. A opinião contrasta com o fato de várias localidades árabes da Galiléia localizadas na região fronteiriça com o Líbano terem sido alvo dos ataques com mísseis Katyusha por parte da milícia xiita, matando vários membros da comunidade. Tensão Enquanto 89% dos entrevistados desta minoria consideraram que Israel cometeu crimes de guerra durante a guerra do ano passado no Líbano, apenas 44% consideraram este aspecto ao julgar os ataques do Hezbollah sobre território israelense. Quanto à maioria judaica, 68,4% temem a possibilidade de acontecer uma guerra civil entre a população árabe e a judaica, ou uma rebelião contra os judeus, enquanto 63% temem entrar em áreas ou localidades árabes. Além disso, 62% dos árabes temem que suas comunidades sejam transferidas para um futuro Estado árabe - como dizem os setores da direita mais radical em Israel -, enquanto 60% temem uma expulsão em massa e 76% descreveram o sionismo como racista. No entanto, 67,5% dos árabes querem continuar vivendo em um Estado majoritariamente judeu sob a condição de que coexista junto com outro palestino nas fronteiras anteriores à guerra de 1967 na Cisjordânia e em Gaza.

Agencia Estado,

18 Março 2006 | 17h13

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