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Pesquisa indica que 52% dos italianos votou contra a reforma Consitucional

Cinqüenta e dois por cento dos italianos votaram contra a reforma federalista da Constituição no referendo realizado no domingo e nesta segunda-feira, segundo a pesquisa de boca de urna realizada pela agência Piepoli para a rede de televisão italiana TG24A reforma constitucional de cunho federalista é defendida pelo bloco conservador de Silvio Berlusconi e rejeitada pelo governo de Romano Prodi.A nova Constituição, que, se aprovada, substituirá a que estava em vigor desde 1991, reduzirá o mandato presidencial a cinco anos, frente aos seis anos da anterior, e somente permitirá que o chefe de Estado concorra a um segundo mandato, enquanto que até hoje não havia nenhuma limitação neste sentido.A reforma inclui também algumas disposições para evitar que um futuro presidente introduza uma nova reforma constitucional que o permita permanecer eternamente no poder. Além disso, o primeiro-ministro teria o poder de nomear e revogar ministros - atualmente necessita do sinal verde do presidente da República - e para dissolver as Câmaras.Também estabelece que a Câmara dos Deputados passaria a ter 518 membros, em vez de 630, e introduz a figura do "deputado vitalício", nomeado pelo presidente da República. Por outro lado, a proposta de reforma concede ao Tribunal Constitucional uma forte conotação regional, ao mesmo tempo em que reforça alguns poderes do primeiro-ministro.O primeiro ministro, Romano Prodi, pediu aos italianos a votarem "não", pois considera que a reforma seja prejudicial ao país, já que as regiões mais pobres da Itália seriam prejudicadas. Berlusconi, por sua vez, acredita que a reforma, que afeta a mais de 50 pontos da Constituição, é "imprescindível" para modernizar a Carta Magna de 1948.A reforma foi aprovada durante a legislatura passada, presidida por Berlusconi, mas sem o apoio de dois terços necessários no Parlamento, o que permitiu que a centro-esquerda convocasse o Plebiscito.Junta MilitarO presidente da Junta Militar, o coronel Ely Uld MahamedVall, declarou no domingo que seja qual for o resultado do referendo respeitará seu compromisso de entregar o poder aos civis em 2007, após as eleições legislativas e presidencialista.A Junta Militar tomou o poder em agosto de 2005, após um golpe de Estado e se comprometeu a iniciar um processo eleitoral para garantir a transição democrática. Este processo se inicia com o referendo constitucional e deve prosseguir com as eleições municipais e legislativas, em novembro de 2006, as eleições do Senado, em janeiro de 2007, e as presidenciais em março de 2007.Segundo o Conselho Militar para a Justiça e a Democracia, a nova Carta Magna servirá para acabar com mais de vinte anos de "poder despótico" da Junta Militar. VotaçãoPor enquanto, o Ministério do Interior não divulgou dados sobre a participação total. No domingo, foram as urnas 35% dos mais de 47 milhões de italianos convocados, uma cifra ligeiramente superior a registrada na única consulta constitucional realizada na Itália, em 2001, quando participou 34% dos cidadãos. Os cidadãos italianos que vivem fora do país também puderam participar da votação.No domingo, a maior participação foi registrada nas regiões do norte da Itália (41%), onde segundo os analistas há maior apoio às mudanças constitucionais, sendo mais reduzido no centro (37%) e no sul (25,8%).Ainda que seja ratificada a reforma, a maior parte das mudanças não entrariam em vigor até a próxima legislatura, e somente se aplicaria de forma imediata transferência de competências a regiões e outras normas de menor importância.O resultado deste plebiscito será considerado válido seja qual for o nível de comparecimento às urnas, e vencerá a opção que conseguir maioria simples.

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