Pesquisa mostra apoio a Bush para a guerra

Dois terços dos americanos queassistiram ao discurso do presidente George W. Bush ao Congresso na noite de quarta-feira, ficaram mais convencidos do queestavam antes sobre as razões do líder americano para ir àguerra, se necessário, para desarmas o regime de Saddam Hussein,segundo pesquisa Gallup-CNN. Mas a mesma proporção disse não tersido persuadida pelas propostas que o Bush apresentou parareanimar a econômica, um problema que afeta os americanos deforma mais direta e imediata e alimentou, nas últimas semanas,uma forte erosão de sua popularidade. Reações positivas à falade presidentes em questões de segurança são comuns depois dodiscurso anual sobre o estado da União. O fato de Bush ter ignorado a óbvia relação negativa queexiste entre o custo financeiro da guerra e o estado da economia especialmente num discurso no qual prometeu "não passar osnossos problemas adiante para futuros Congresso, outrospresidentes e outras gerações", sugere que o líder americanonão está livre, como gostaria, do risco de repetir seu pai, oex-presidente George H. Bush, que ganhou a Guerra do Golfocontra Saddam, em 1991, mas não conseguiu se reeleger dezoitomeses depois, por causa da insatisfação dos americanos com aeconomia. Com tais cálculos certamente em mente, osoposicionistas democratas não se acanharam em criticar odiscurso. A líder da minoria do partido na Câmara, Nancy Pelosi,lembrou que a ameaça real para os americanos é o terrorismo enão Saddam Hussein e que uma guerra contra o Iraque alienaráaliados e pode complicar os esforços do país para se protegercontra repetição de novos atentados. "O presidente nãoapresentou um argumento convincente de que o uso da força agoraé a única forma de desarmar o Iraque, ou que remover SaddamHussein do poder garante que um novo regime não seguirá asmesmas políticas". A novidade do discurso de Bush sobre o Iraque foi o anúnciode que, no próximo dia 5, o secretário de Estado, Colin Powell,comprovará ao Conselho de Segurança que o regime de SaddamHussein está escondendo armas de destruição que as Nações Unidaslhe proibiram de possuir, como condição da rendiçãoincondicional do Iraque no final da guerra de 1991. Hoje, osecretário da Defesa, Donald Rumsfeld, começou a apresentar alíderes do Congresso as provas que a administração alega, emsessão secreta. Embora não esteja claro se as novas informaçõesirão além das quantidades de substâncias que podem serempregadas como munição em armas químicas e de meios parautilizar tais armas, que constam de relatórios da ONU e Bushlistou em seu discurso, a decisão de dar explicações ao Conselhode Segurança indica que a administração está disposta a fazermais um e, provavelmente, derradeiro exercício diplomático.Fontes diplomáticas disseram que um desdobramento possível dodepoimento de Powell, da perspectiva americana, seria o Conselhode Segurança fixar um prazo final para Saddam Hussein revelar asarmas de destruição de massa que ainda possui e provasconvincentes de que destruiu as armas que sabidamente possuía nopassado. Powell disse hoje que fará uma "apresentação abrangente".Tony Cordesman, especialista em questões militares do Centro deEstudos Estratégicos e Internacionais, disse que "as pessoasque querem (como prova) um revólver fumegaste provavelmente nãoo verão" nas informações que o secretário de Estado levará aoConselho de Segurança. "Mas os EUA têm um bocado de provassobre atividades, importação e instalações no Iraque"envolvendo armas de destruição em massa". Fleischer afirmou quea administração possui "um Evereste de provas". Bush deixou poucas dúvidas de que o único resultado positivoque vê nas novas consultas com a ONU é uma ampliação do apoio auma ação punitiva contra Saddam. "Nós fizemos um chamamento àsNações Unidas para que a organização cumpra com sua carta einsista em sua demanda para que o Iraque se desarme", afirmouele. "Mas o propósito dos Estados Unidos é mais do que seguirum processo, é alcançar um resultado: o fim de ameaças terríveisao mundo civilizado". O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer sublinhou a mensagem hoje afirmando que a nova rodada deconsultas na ONU é uma "janela diplomática" que marca o inícioda fase final da confrontação "entre o Iraque e as NaçõesUnidas". Embuído da certeza de quem é capaz de afirmar que derrotará oterrorismo, o líder americano pediu o apoio da comunidadeinternacional, mas deixou claro que não depende dele para dar aordem de ataque contra Saddam, se o líder iraquiano continuar aresistir a cooperar plenamente com os inspetores da ONU. "Todasas nações do mundo têm interesse em evitar um ataque súbito ecatastrófico", afirmou Bush. "Estamos pedindo a ela que sejuntem à nós e muitas estão respondendo; mas o rumo dos EstadosUnidos não depende de decisões de outros; quaisquer que seja asações necessárias, eu defenderei a liberdade e a segurança dopovo americano".

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