Pesquisa mostra que maioria dos europeus acha que UE deve oferecer a adesão à Ucrânia

A maioria dos europeus acha que a União Europeia deveria oferecer adesão à Ucrânia, mas eles estão divididos sobre se ela deve ser admitida à Otan, de acordo com uma grande pesquisa de opinião pública publicada nesta quarta-feira.

ADRIAN CROFT, REUTERS

10 de setembro de 2014 | 20h15

A Ucrânia, que trava uma guerra contra separatistas pró-Rússia no leste do país, está no centro do mais grave confronto Leste-Oeste desde a Guerra Fria.

A União Europeia assinou um acordo de livre comércio com a Ucrânia, mas não ofereceu a perspectiva de uma eventual adesão.

O governo da Ucrânia disse no mês passado que iria buscar a proteção com adesão à OTAN, mas isso é um processo que pode levar anos e é incerto se os aliados da Otan aceitariam a Ucrânia.

Uma grande pesquisa anual de opinião pública nos Estados Unidos, Rússia e Europa mostrou que 52 por cento dos europeus acredita que a UE deve oferecer adesão à Ucrânia, enquanto 43 por cento dos entrevistados se opuseram.

Sessenta e oito por cento dos norte-americanos entrevistados apoiaram a Ucrânia se tornar um membro da Otan, enquanto os europeus se distribuíram de forma mais equilibrada, com 46 por cento dizendo que a Ucrânia deve se tornar um membro da Otan e 47 por cento dizendo que não deveria.

Sob o tratado da Otan, um ataque a qualquer Estado membro conta como um ataque a todos eles e obrigaria a aliança a sair em defesa da vítima do ataque.

A Ucrânia afirma que foi vítima de um ataque direto pelas forças russas.

Os resultados são parte das conclusões do Transatlantic Trends 2014, uma pesquisa anual de opinião pública realizada pelo German Fund Marshall dos Estados Unidos, um instituto norte-americano, e pela Compagnia di San Paolo, uma fundação privada italiana.

A pesquisa abrange 10 países da União Europeia -- Grã-Bretanha, França, Alemanha, Grécia, Itália, Países Baixos, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia--, bem como a Turquia, a Rússia e os Estados Unidos.

Cerca de 1.000 pessoas foram entrevistadas em cada país durante junho, exceto na Rússia, onde a amostra foi com 1.500.

Setenta e um por cento dos europeus e 52 por cento dos norte-americanos se opuseram ao envio de suplementos militares para a Ucrânia Ocidental. A Polônia foi o único país pesquisado em que a maioria dos entrevistados aprovou o envio de suprimentos militares.

Houve um forte apoio para a política de sanções que os Estados Unidos e a União Europeia iniciaram contra a Rússia, em resposta à intervenção de Moscou na guerra com a Ucrânia.

Mais de 60 por cento dos entrevistados tanto nos países da UE como nos Estados Unidos acreditavam que deveria haver sanções econômicas mais fortes contra a Rússia por causa de suas ações na Ucrânia.

A pesquisa mostrou um abismo profundo nas percepções entre como as pessoas na Rússia e o Ocidente veem a crise com a Ucrânia.

A maioria dos norte-americanos e europeus acredita que a União Europeia deve continuar a dar apoio econômico e político para a Ucrânia, mesmo se houvesse um risco de conflito com a Rússia.

A maioria dos russos também acredita que a Rússia deve agir para manter sua influência sobre a Ucrânia, mesmo que isso leve a um risco de conflito com a UE.

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